REFÚGIO

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Quando nasce o sol

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Naquela manhã, o sol levantou mais cedo: o galo estava com insônia. Não que houvesse algum motivo astronômico que alterasse a órbita do sistema planetário. Muito menos que a ave tenor estivesse com olheiras profundas e um cantar debilitado. Mas essa era a impressão de Marcos, quando o cocoricar de Astolfo, o galo, começou a retumbar dentro da sua cabeça.

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Written by Joel Minusculi

abril 11, 2008 at 6:09 pm

Publicado em Literatura

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Noite dos Pesadelos – Parte 1

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Por Deus, como minha cabeça dói. Os cobertores da cama me sufocam e o travesseiro parece feito de pedra. Mais uma madrugada de insônia, como acontece nas últimas duas semanas. Espere um pouco, meu quarto não é tão bem iluminado assim pela noite. As paredes estão sujas e avermelhadas. Minha cabeça. Preciso de um analgésico e um copo de água.

Levantar é a pior parte quando parece que a gravidade não colabora com sua vontade. Tudo está girando. Nem parece ser o meu quarto. Aliás, esse não é o meu quarto, mas é tudo tão familiar ao mesmo tempo. A escrivaninha, a pilha de papéis sobre ela, as duas janelas nas paredes, o armário ao lado da cama. Preciso urgentemente do analgésico ou de um sanatório. A caixa de remédios no banheiro é a mais próxima no momento.

O corredor também está com as paredes no mesmo estado do quarto. Se bem que minha visão está turva e, no momento, meus olhos não são confiáveis. O banheiro é aqui na frente. Mas por que esta maldita porta não quer abrir? Sorte dela que só tenho forças para andar, se não a poria a baixo. Sede. Preciso de água. E também de um analgésico. Maldita porta!

Pelo que eu lembre, eu lavei minha louça do jantar. Quem é que foi que sujou as paredes desse jeito? E a sala? Está pior que a cozinha… Alguém deixou a televisão ligada. Mas eu moro sozinho. Os livros na estante estão bagunçados. Esses quadros… eu tenho quadros, mas não estes. Minha cabeça… parece que tem uma fanfarra fora do ritmo dentro dela. A sujeira nas paredes está se movendo? Essa maldita dor que corrói o meu cérebro.

E esse cheiro metálico e forte. É de sangue! Onde? A parede, ela está ficando escura. As sombras da penumbra estão indo para a mesma direção. Ah, minha cabeça! Uma massa está saindo da parede. Ela parece… parece com uma… pessoa!? Está tudo girando. Essa figura que está saindo da parede… tão pálida, tão suja, tão… assustadora! Não agüento mais. Minha consciência não me obedece mais. Está tudo escuro, mas pelo menos a dor de cabeça parou.

Joel Minusculi
Que odeia noites de insônia

Written by Joel Minusculi

novembro 9, 2007 at 2:26 am

Publicado em Literatura

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