REFÚGIO

comunicação, tecnologia e outros devaneios

Archive for the ‘Conto’ Category

Nem tudo acaba bem

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Godzila

O vento quente daquele final de tarde agitava os cabelos rebeldes de Joe. Pela Avenida Atlântica, que beira o mar ao longo de Balneário Camboriú, a única preocupação do descabelado era desviar dos outros carros a sua frente, quando eles paravam para estacionar. Se bem que “outros carros” não seria uma classificação apropriada, já que o que ele dirigia era um Fusca conversível, ano 76.

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Written by Joel Minusculi

maio 25, 2007 at 2:35 am

Publicado em Conto, Devaneio, Literatura

Como liquidar desilusões

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Liquidar

O dia não havia sido bom. Não porque se atrasou para chegar ao emprego pela manhã. Nem pela colega de trabalho ter ido com um sapado igual. Muito menos por estar naquela época do mês que só é resolvida com bastante chocolate e atenção. Bem, talvez no último motivo houvesse uma parcela de verdade. Mas Helena tinha o orgulho tão inchado quanto supunha ser gorda, para poder admitir o estado de carência.

Cada hora foi um século, justamente pelo desejo de poder estar em casa e sanar suas vontades. Então, assim que chegou ao lar, a primeira coisa que Helena fez foi analisar cuidadosamente seu reflexo no espelho, logo no corredor de entrada, do lado contrário ao que a porta abria – detalhe que ela havia visto numa revista, para atrair boas energias.

Em um rápido movimento de cabeça, do mesmo jeito que aprendeu numa propaganda de shampoo, arrumou os longos e lisos cabelos castanhos. Como se os dedos fossem borrachas, tentou apagar pequenas marcas que despontavam na pela clara e macia de seu rosto. Tudo isto acompanhado criticamente pelos dois grandes olhos amendoados.

Helena então estufou o peito e encolheu a barriga. Apesar de já ser relativamente alta para o sexo feminino, ela ficou na ponta dos pés e fez uma pose, mostrando seu perfil direito. E no mesmo instante que soltou o ar, como se tivesse recebido um soco no estômago pela realidade, despencou junto com suas lágrimas. Não tinha jeito, nada a fazia crer que ela era bonita naquele dia.

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Written by Joel Minusculi

maio 21, 2007 at 1:58 am

Publicado em Conto, Literatura

Quando a vida supera a morte

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Conto

Prefácio

Primeiras palavras

Chegue mais perto meu amigo, não se intimide. O que eu tenho para contar é um triste fim que gerou o começo de uma grande jornada. Lorotas e papo furado de um velho solitário na taverna? Histórias simplesmente têm vida e vivem em todos os lugares, fluem por entre os seres e terminam nos ouvidos mais atentos, para assim se perpetuarem pelas eras. E como saber se são verdades? Oras, o que é vida senão a impressão que temos dela? Mas chega de enrolar, que não sou fiandeira, sou sim o portador de um tesouro histórico.

Era uma vez, nem mais do que isso, e o suficiente para o resto. Contam aqueles que ouviram de outros, que no topo das árvores da Floresta do Rubro Entardecer havia muito mais que galhos e folhas. Lá existia uma pequena aldeia de elfos, uma raça mística e filha da natureza como as próprias árvores. Muito pouco se sabe desses seres, que dão ao tempo a mesma importância que simples mortais dão a uma gota de chuva que cai sobre a ponta de seus narizes. Você não sabe como parecem? Pois não será essa a oportunidade que irá saber. O que importa agora é a essência e não a forma.

Sim, “havia” no tempo passado, porque hoje não existe mais e nem se ouve falar dos habitantes de lá. Infelizmente, assim como as flores no inverno, a aldeia desapareceu dos frios registros burocráticos dos tempos. Muitas almas foram perdidas, porém, a lembrança resiste nas palavras de contadores como eu, que aquecem o espírito aventuresco dos ouvintes como você. Apure seus ouvidos e prepare seu coração.

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Written by Joel Minusculi

maio 20, 2007 at 2:57 pm

Publicado em Conto, Fantasia, Literatura

A chamada da noite

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Assassino

Os ponteiros marcavam freneticamente os segundos no grande relógio redondo na parede da sala. Eram vinte e duas horas e dez minutos. Depois de um dia tão animador quanto um tratamento de canal, aquele cara estava jogado em sua poltrona azul-pastel de riscos pretos. De frente à tevê, a única coisa que esboçava alguma reação eram as retinas de seus olhos castanhos, quando a claridade da tela variava em meio à escuridão do ambiente.

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Written by Joel Minusculi

maio 6, 2007 at 4:47 pm

Publicado em Conto, Literatura