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Wolverine – Origem

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Retirar um personagem das retículas dos quadrinhos e dar vida em quadros por segundo é uma tarefa de grande responsabilidade, ainda mais quando a figura em questão já alcançou a fama através de uma personalidade forte e marcante. X-Men Origens: Wolverine (2009) estréia justamente com a intenção de contar a história do baixinho mais invocado da editora Marvel Comics. Além disso, a produção tem o desafio de adaptar uma história sob o olhar atendo de uma legião de fãs que acompanham os passos de Wolverine desde seu surgimento.

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Nos quadrinhos

Antes de analisar qualquer aspecto cinematográfico é preciso entender quem é Wolverine. Ele apareceu pela primeira vez no mundo dos quadrinhos como um mero coadjuvante, ao enfrentar o gigante esmeralda Hulk em Incredible Hulk #180. Lançada em outubro de 1974, a história criada pelo escritor Len Wein e pelo diretor de arte John Romita apresentou ao mundo uma arma projetada para dilacerar o que encontrasse pela frente. Nessa mesma edição, os aficionados em quadrinhos conheceram a chamada Arma X.

O mutante das garras afiadas poderia ter caído no esquecimento, caso seus criadores não tivessem colocado-o, mais tarde, em uma equipe especial para resgatar a equipe original dos X-Men (que era formada apenas pelo Ferra, Garota Marvel, Homem-de-Gelo, Ciclopes e Anjo, além do Professor Xavier). A partir disso, Wolverine conquistou fãs com sei jeito truculento e de bad boy – o clássico anti-herói, que resolve os problemas à sua maneira –, além de um espaço garantido da equipe dos Novos Mutantes do X-Men.

A falta de memória foi o jeito mais fácil de moldar gradativamente a personalidade de Wolverine, através da aprovação do público e o desenvolvimento das histórias como um todo. Sua origem sempre foi um mistério para os fãs, que conheciam poucos fragmentos de sua história. Por isso, os arcos mais famosos do mutante são os que tentam traçar o passado de Wolverine. Um dos mais famosos é o Arma X, que mostra como o governo aproveitou o fator de cura acelerada do mutante, para implantar o metal mais resistente do planeta: o adamantium (um procedimento cirúrgico que mataria qualquer outro).

02

No cinema

A Fox, detentora dos direitos autorais para a produção de X-Man, viu o sucesso da franquia dos mutantes, especialmente Wolverine, nos cinemas e quis dedicar filmes solos para os mutantes. No primeiro, de uma série que seguirá com o filme da origem do Magneto, a empresa faz uma aposta arriscada: colocar um diretor como Gavin Hood (sem nenhum filme memorável no currículo) para preencher as lacunas da vida de um personagem famoso e ainda assim fazer sucesso.

No filme é contada a infância de Logan, quando manifesta pela primeira vez seus poderes e como enfrenta a luta com seu animal interior. Além disso, uma revelação nunca antes cogitada nos quadrinhos é apresentada, através de um parente direto de Wolverine – nesse caso, a liberdade de criação de uma adaptação para o cinema tornou até interessante a relação entre os irmãos mutantes, mas ficou superficial, ao não tratar do nome nascença de Logan (tratado nos quadrinhos Origem).

A história principal é focada no experimento Arma X, deixando para um rápido resumo de 15 minutos no prelúdio e nos créditos iniciais o começo da vida de Logan. Já adulto e integrado em uma força especial, Wolverine começa a questionar a razão de ser apenas uma arma na mão do governo. Na tela, as cenas de luta e pancadaria encantam os fãs de ação. Mas o excesso faz dos personagens apenas bonecos, como na cena inicial, em que o grupo de super-agentes invade um prédio, mata todos e só depois pergunta sobre o que procuravam. Nos quadrinhos, os métodos do governo em conseguir as coisas são mais sutis.

Outro aspecto que o filme peca no excesso é nas aparições especiais. Muitos personagens importantes para a história surgem e desaparecem de forma rápida, superficial, apenas para marcar presença. É como se com isso fossem criadas pontas para outros filmes. Mas o resultado é a superficialidade, como na história de Gambit, que é forçado a mostrar a localização de uma base secreta e, do nada, passa a ajudar Wolverine.

A organização Arma X ficou restrita ao sonho de William Stryker em busca de um soldado perfeito, quando, nos quadrinhos, é um projeto militar com influência em vários meios e de escala muito maior. No filme ficou claro como Stryker usa a filosofia dos fins justificam os meios, para convencer Wolverine a participar das experiências. Nesse ponto, o filme consegue mostrar muito bem o contraste e o conflito entre o animal Wolverine, e sua sede de sangue e vingança, e o homem Logan, preocupado com um amor e a vida simples.

As cenas de ação são bem coreografadas e o cuidado com figurinos e efeitos especiais deixa o filme com uma bela estética. Porém, Hollywood parece esquecer que muitas luzes não são suficientes para fazer brilhar um roteiro obscuro e apagado. Isso fica evidente quando se presta atenção na motivação dos personagens em suas ações, que simplesmente acontecem sem motivos claros, e nas ligações entre os personagens sem motivos.

A impressão final é que a produção de Wolverine: Origens tentou condensar quase 30 anos de histórias nos quadrinhos em 107 minutos, quando, na verdade, deveria adaptar as informações que tinha para a linguagem do cinema e focar apenas uma origem – a do protagonista das garras de adamantium. O filme é bom por ser o primeiro a tentar contar uma história tão nebulosa quando a de Logan. Mas para os fãs parece que os produtores sofreram do mesmo problema de amnésia que o herói, ao deixar de lado e tratar de forma tão superficial a origem de Wolverine.

Joel Minusculi
Que esperava bem mais do filme

Written by Joel Minusculi

maio 4, 2009 às 6:08 pm

Publicado em Cinema, Opinião

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