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Watchmen – A Crítica

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Esqueça Batman, Homem-Aranha ou Super-Homem. Essa história não é simplesmente o esquema do “mocinho que enfrenta vilão para salvar o dia”. Além disso, a forma de apresentação da grafic novel escrita por Alan Moore e ilustrada por David Gibbons, que serviu de base para o filme, foi considerada “infilmável” por muitos fãs da nona arte. Não bastasse, foram quase vinte anos até que a idéia saísse do papel, passasse por brigas judiciais pelos direitos autorais e fosse parar nos cinemas. Porém, agora, os vigilantes de Watchmen (Watchmen, 2009) estão sob o olhar do mundo inteiro.

No filme é mostrada uma versão alternativa da América: Richard Nixon é eleito pela terceira vez, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã (com a ajuda do Dr. Manhattan) e a Guerra Fria está a ponto de se tornar bem quente com as ogivas nucleares da União Soviética. Para piorar, o presidente institui um ato que proíbe qualquer justiceiro mascarado de atuar, principalmente depois dos problemas com os Minutemen. Enquanto isso, um antigo herói e arma do governo, o Comediante, é assassinado. Mas dessa aparente ocorrência policial comum, o antigo companheiro Rorschach vê uma trama de conflitos e conspirações que vai além de somente uma morte.

Das três tramas que fazem parte da grafic novel original, somente o conflito dos Watchmen foi mantida. Uma delas, os quadrinhos dentro do quadrinho dos Contos do Cargueiro Negro, vai ser lançados em forma de animação direto em DVD. Já a cronologia dos Minutemen, os antecessores dos Watchmen, é resumida de forma muito criativa e original nos créditos iniciais. Essa seqüencia, de pouco mais de cinco minutos, mostra do auge a decadência do primeiro grupo de heróis que fizeram parte dos grandes fatos históricos dos Estados Unidos.

Watchmen não é um filme de heróis convencional. Os vigilantes com grandes poderes são afetados pela sua responsabilidade. Tanto, que só o perfil psicológico de cada um renderia um estudo de caso. O elenco de atores pouco conhecido consegue passar a carga de dramaticidade de seus personagens, apesar de ser mostrado pouco da história pessoal de cada um. Quem não conhece os personagens pode ter um pouco de dificuldade para entender suas motivações. O filme também não é para qualquer um ver: cenas de violência, carnificina, ossos expostos, sexo, estupro e pouca consideração com a humanidade fazem parte da trama – para se ter uma idéia, a classificação do filme no Brasil é de 18 anos.

Para essa que é uma das mais audaciosas adaptações dos cinemas, os produtores de Hollywood apostaram em alguém que já se saiu bem em outro filme do gênero. Zack Snyder repete a fórmula usada em 300 e imprime seu estilo ao transformar quadrinhos em cenas. Ao exemplo do que fez com os espartanos, Snyder usou os desenhos de Gibbons praticamente como um storyboard, em uma fidelidade impressionante de poses e cenários. Também como na batalha de Termópilas, o diretor abusou da câmera lenta para valorizar a ação, mas o resultado final é interessante (destaque para o recurso usado na seqüencia da morte do Comediante, no início do filme).

Como outras adaptações para o cinema, o filme Watchmen não consegue passar para a tela toda a complexidade da trama criada por Alan Moore (tanto, que o autor não quis seu nome nos créditos). Não bastasse, o desfecho foi alterado, o que imprime a reinvenção que muitos diretores de adaptações gostam de arriscar. É uma história que tenta ser o mais fiel possível com a original, para agradar os fãs, e simples, para atingir um público diferente. O resultado final é uma ótima história, que não terá a popularidade que outros heróis tiveram, mas sacia parte dos fãs que esperaram tanto para ver esses heróis em carne e osso.

Joel Minusculi
Que confessa: a primeira vez que leu os quadrinhos não gostou

Written by Joel Minusculi

março 8, 2009 às 6:35 pm

Publicado em Cinema, Opinião

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Uma resposta

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  1. […] filme Watchmen ainda rende frutos baseados na grafic novel mais cultuada entre os aficcionados pela nona arte. […]


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