REFÚGIO

comunicação, tecnologia e outros devaneios

O que é isso, Big Brother?

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A oitava edição do Big Brother Brasil está no ar. O programa que mostra o cotidiano de 14 pessoas confinadas em uma casa é a principal atração da Rede Globo e motivo de discussão popular. No final somente um vencedor, as regras são definidas, mas o que importa é a manha de cada participante para conquistar público e aliados dentro do confinamento. Mas afinal, o que isso tem de importante?

Desde que o ser humano formou comunidades, a vida social é um fator regulado através da exposição da vida pública ou preservação de particularidades. Nossa imagem e moral, mesmo que sejamos recatados e certinhos, depende de quanto os outros sabem da gente. Feliz foi aquele que disse que o “o inferno são os outros”.

Assim começou a corrida atrás de idealizações, para saciar egos, em busca de satisfação pessoal. De tanto ser criticado, o discurso daqueles que atacam os que impõem padrões está fora de moda – perdoem o jargão que remete a essa corrente, mas como você percebe, a coisa é tão incrustada que nem nos damos conta de dependermos da aprovação alheia.

Estar no topo da cadeia alimentar da sociedade significa ter os melhores atributos segundo o senso comum. Se você não se encaixa, você é excluído, cruel, porém simples. Aí então acontece que muitas pessoas que precisam de um modelo para suas vidas acabam tomando de exemplo aqueles de superexposição pública – diga-se famosos de todos os tipos.

Aí que entram nossos intrépidos brothers. No momento, eles são o centro das atenções. A população comum quer conjugar ser e estar da mesma maneira que eles. Mas infelizmente essa população não passa de um amontoado de meros mortais, que ao invés de fazer provas para ganhar coisas, precisa provar todos os dias através do trabalho ser merecedor de um salário.

O Big Brother Brasil deixou a muito tempo de ser um Reality Show. Nas primeiras edições, quando os produtores não tinham muita noção do que tinham em mãos, as coisas eram espontâneas, reais. Os participantes eram pessoas simples, que ganhavam fama só depois de sair da casa, caso ainda fosse vencedores – desafio rápido: diga o nome de todos os participantes do primeiro Big Brother, sem consultar o Google.

A vida real não faz sucesso no Big Brother, pois as pessoas não querem ver aquilo que estão cansadas de ver na televisão. Esse aparelho que está na casa de milhões de pessoas é um refúgio de tranqüilidade através do entretenimento. Infelizmente falta para as pessoas consciência de como absorver conteúdo – esse último pensamento também está fora de moda, por tanto ser usado.

Mesmo tendo em mente que o Big Brother é entretenimento, como ficar conformado com milhares de pessoas se importando tão devotamente à vida alheia de pessoas cheias de mordomia? Como as pessoas ficam tão ligadas em uma coisa tão armada, tão forçada? Como acreditar naquela histeria forçada da chegada, quando no primeiro programa já foram obrigados a rotular os outros?

E antes que o texto acabe: é impossível acreditar em coisas espontâneas e reais quanto os participantes já têm um pé no mundo da fama. O Rafinha é vocalista de uma banda (emo além de tudo!) e já participou de clipes do NX Zero. A Jaqueline Khury já posou nua para o The Girl (esse link é para os marmanjos de plantão e que leram até aqui). A Natália Casassova também já fez um ensaio sensual (mais um link para os marmanjos de plantão). Mas pensando bem, se a população ainda acredita na política ou se fazerem as mesmas coisas que os ídolos serão como eles, quem sou eu para discordar. Tudo o que eu posso fazer é desligar o televisor.

Joel Minusculi
Que admite que acompanhou o Big Brother, mas se frustrou quando percebeu que tudo era tão falso em um Reality Show.

***

Nota do Editor: Este é um post de opinião. Caso você discorde das idéias, ajude no debate através dos comentários ou envie um texto para bloganomeu@gmail.com

Written by Joel Minusculi

janeiro 10, 2008 às 9:00 pm

2 Respostas

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  1. Realmente, nunca me interessei por essas coisas, sempre soube que tudo nao passa de uma “novela”.. Otimo Post!!

    Ah, Feliz 2008 pra você parceiro!!

    Abraços
    Sleek’

    Sleek

    janeiro 11, 2008 at 1:39 am

  2. Também já assiti e ainda assisto algumas partes até que minha paciência permita.
    O Big Brother forma ídolos que nada contribuem com a sociedade. São personagens apenas. E as pessoas choram por eles, torcem por eles, simplesmente porque sua imagem é divulgada na televisão.
    Quer coisa mais alienada que isso?
    E show da realidade não é e nunca foi. O bbb é a maior mentira e se eu continuar escrevendo vou fazer um texto novo.

    Bom para começar o ano se indignando com a programação da televisão brasileira.

    Marina

    janeiro 12, 2008 at 1:14 am


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