REFÚGIO

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O dia do Caçador

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Poucos heróis possuem uma galeria de vilões tão interessantes quanto o Homem-Aranha. Seus inimigos são marcantes, como Duende Verde, Dr. Octopus, Homem-Areia e Venon – que ganharam maior destaque devido ao sucesso nos cinemas. Nos quadrinhos, há muitos outros vilões tão interessantes quanto, com motivações que deixam dúvida quando a maldade em suas intenções.

No caso de Sergei Kravinoff é difícil admitir sua vilania. Ele teve que fugir de sua terra natal, a Rússia, durante uma das inúmeras revoluções. Junto com seus pais encontrou refúgio na América, onde a vida não foi difícil pela fortuna que possuíam. A vida com dinheiro proporcionou a prática de um hobby exótico: a caça. Assim, ele viajou para o continente africano, onde aprendeu todas as técnicas para capturar suas presas.

Com o passar do tempo, Sergei ficou obcecado em caçar as presas mais fortes do mundo, para assim provar o seu valor. Surge então seu alter-ego, Kraven, o caçador. Diferente de outros vilões, Kraven não quer dominar o mundo ou roubar dinheiro. Ele somente quer provar sua superioridade diante seus alvos, através de lutas justas e regidas pela honra – este último ponto é um dos mais citados pelo personagem nas histórias. Porém, chega a hora em que todos as presas são sobrepujadas e não há mais motivo para caçar.

A Última Caçada de Kraven foi lançado no Brasil em 2004 e conta a história de como o caçador conseguiu capturar o Homem-Aranha, sua mais valiosa presa. Kraven, além de pegar seu troféu, queria vestir a pele e entender a mente de sua presa. Não é a pancadaria que conduz a trama. O argumento central é o conflito psicológico em um discurso sobre o que significa a morte para cada personagem.

Além de sobreviver ao caçador, o Homem-Aranha – que, aliás, está com o uniforme negro simbionte – ainda precisa encarar outro de seus antigos inimigos. Ratus aparece como um serial killer canibal, mas acaba sendo usado como uma provação tanto para Kraven, quanto para o Aranha.

O roteiro de J.M. DeMatteis e o traço de Mike Zeck são sombrios e fazem dessa história um conto denso e profundo. A falta de ação pode assustar os leitores – aliás, o Homem-Aranha na história é praticamente um coadjuvante. São os detalhes sobre a personalidade insana e obcecada de Kraven que fazem dessa última caçada uma história envolvente e intrigante.

Joel Minusculi
Que admira a personalidade de Kraven

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Written by Joel Minusculi

outubro 20, 2007 às 2:50 am

Publicado em Quadrinhos, Resenha

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