REFÚGIO

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Uma vida em três histórias

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A falta de memória de um personagem é a maneira mais fácil de moldar gradativamente sua personalidade, através da aprovação do público e o desenvolvimento das histórias como um todo. Prova disso é o dono das garras mais afiadas dos quadrinhos, mais conhecido como Wolverine. Com um seu jeito brutal, um fator de cura acelerado e um esqueleto do adamantium, ele já arrancou muitas viceras de inimigos e suspiros de fãs.

Depois de surgir como um coadjuvante nos quadrinhos do Hulk (The Incredible Hulk #180), o mutante se tornou titular dos X-Man, grupo que luta pela inclusão e reconhecimento dos portadores de poderes especiais na sociedade. Suas missões com a equipe do professor Xavier já viraram filme e argumentos de muitas histórias. Wolverine até mesmo já visitou terras brasileiras, na grafic novel Saudade.

O que pouco se sabe é como tudo começou e vai terminar. As perguntas essenciais sobre o mutante, que todas as pessoas se questionam durante a vida, são respondidas em três arcos de histórias em quadrinhos. Esta trilogia representa uma biografia essencial para os fãs assíduos e um compêndio para os curiosos de plantão.

Em Origem, como sugere o título, é mostrada a infância conturbada e a manifestação dos poderes do mutante. Além disso, também é explicada a origem do seu nome, Logan, e do apelido, Wolverine – que, do inglês, significa carcaju. A história tem argumentos de Paul Jenkins, que mostram a mudança da personalidade de Wolverine para encarar a vida. Já os traços, por Andy Kubert, usam cores sóbrias e linhas marcantes para ilustrar as variações de sentimentos envolvidos no processo de descoberta de poderes de mundo.

 

Arma-X, que dá nome ao segundo arco, foi a organização secreta do governo responsável pelo implante de adamantium em Wolverine. Neste episódio são confrontados os fantasmas do passado e descobertas as intenções dos idealizadores das experiências. Apesar do argumento do “super soldado” ser um tanto batido (Capitão América também foi criado com este intuito), a história serve para explicar muita coisa. A história tem valor nos nos bons argumentos e a na arte de Barry Windsor Smith. O autor, que raramente contribui para projetos de super-heróis, não poupou esforços para contar com minúcias cada fase que levou o homem Logan a dar lugar ao animal Wolverine.

 

O Fim de Wolverine acontece perto dos seus 210 anos. Nesta história são mostrados os efeitos colaterais de ter a vida prolongada, além da descoberta de um novo membro da família – também com garras. Aqui o mutante já está com o corpo velho, mas o ímpeto fortalecido por anos de experiência. É interessante notar, na história criada por Paul Jenkins, como os músculos encontraram em estratégias as alternativas de ações do personagem. Os traços de Claudio Castellini, apesar de caricatos, são clássicos dos quadrinhos e ajudam na imagem livre do personagem.

As histórias ajudam em muito sobre os mistérios que cercam Wolverine. São itens valiosos para colecionadores, justamente por revelarem tanto da personalidade de um personagem tão famoso, até mesmo além do círculo dos admiradores da nona arte.

Três principais revelações sobre Wolverine:

– Em Origem fica evidente que, apesar de poder se recuperar, há “feridas” no coração que jamais cicatrizaram. Que toda a sua aparente brutalidade e indiferença com o mundo foram criadas como a pele que cresce mais dura sobre as feridas.

– Em Arma-X descobre-se que as garras fazem parte da fisiologia natural do mutante, e não pelo implante junto com o esqueleto de adamante.

– Em O Fim é explicada a perda de memória. O metabolismo, que propicia cura acelerada ao mutante, entende que más recordações ou traumas vividos são feridas para a memória. Sendo assim, há também a regeneração dos “machucados” na alma, sem deixar cicatrizes ou rastros de que o fato aconteceu, inclusive os em forma de lembranças.

Nota do autor: Sim, mesmo como fã de quadrinhos, só pude ler agora, nessas férias, a Origem e o Fim de Wolverine. Arma-X tive o prazer de conferir na época do lançamento.


Joel Minusculi
Que é fã número dois de Wolverine no universo dos Heróis.

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Written by Joel Minusculi

agosto 1, 2007 às 11:10 pm

Publicado em Quadrinhos, Resenha

Uma resposta

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  1. eu tenho só arma x… mto massa… o barry windsor smith quase não faz nada, mas quando faz… é tudo dele tb! roteiro e arte!!!

    ah… e graFic novel é a vó… se não sabe escrever em inglês, deixa em portuga mesmo!

    Luciana

    agosto 2, 2007 at 3:57 am


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