REFÚGIO

comunicação, tecnologia e outros devaneios

Alma Digital

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Crise de iDentidade

Joel Minusculi para o Monitor de Mídia

A criação de uma identidade dentro do mundo virtual é uma das possibilidades mais fascinantes da internet. Para ser ou não ser, o usuário só precisa criar um perfil ou participar como anônimo na interação da grande rede. Mas o que parece tão simples e fácil causa muitas discussões, principalmente na relação de confiança entre os usuários e o serviço.

Tudo começou com os bate-papos (chats) e o uso de codinomes (nicks). Nestes espaços, os usuários conversavam sobre os mais diversos assuntos, desde uma discussão sobre o final de um filme, até a confissão de desejos íntimos. Os apelidos eram como máscaras, para preservar a identidade e libertar de qualquer inibição naquela oportunidade.

Mais tarde, quando os usuários da internet começaram a deixar suas marcas na rede, os fóruns passaram por um processo parecido. Era possível para qualquer um fazer um cadastro, preencher um formulário de informações e participar. Nessa época, há o surgimento de perfis reais e falsos, estes últimos mais conhecidos como fakes.

Estas identidades inventadas seguiam o mesmo princípio dos apelidos, só que agora havia um registro fixo, como um documento virtual. Porém, sem um sistema eficiente para assegurar a veracidade dos dados preenchidos, se manteve a possibilidade de qualquer um poder mostrar ou ser qualquer coisa, somente com as intenções como limite.

O uso dos perfis falsos chegou até o Orkut, o maior site atual de relacionamentos virtuais. Nessa versão a prática serve, entre outras coisas, para propósitos mal intencionados, como agressões morais ou para corromper outros perfis de outros usuários. Estas ações causaram um revés na idéia de construção coletiva do conhecimento, que era a proposta inicial do site.

A liberdade caótica da internet impede muitas das formas de controle usadas no cotidiano real. Os dispositivos judiciais tentam criar leis que alcancem o mundo dos bytes. Enquanto isso, a solução encontrada foi criar mediadores nos serviços. Estes são como “xerifes”, que podem julgar ações e executar penas para os infratores, que variam entre a retirada de privilégios ou o banimento do serviço. Questão fácil de contornar para os mal intencionados, já que é possível criar outro cadastro, com uma nova identidade.

Novos meios

O problema ganha outras proporções quando as plataformas evoluem e viram necessidade na sociedade atual. Todas as ferramentas citadas foram agregadas a sistemas, como o Second Life e a Wikipedia. Com isso, o uso de identidades virtuais é mais uma vez posto à prova na personificação dos avatares e no conteúdo produzido por usuários dos mais diversos tipos. Ou seja, como saber realmente quem ou o que é a fonte consultada para determinados assuntos?

Mesmo com todas as dúvidas, há jornalistas que exploram este novo mundo para o exercício de sua profissão. Além da alta velocidade da grande rede entre os meios de comunicação, os benefícios incluem a possibilidade de contato com pessoas em todo o mundo, a maior flexibilidade de horários e a comodidade de colher informações em qualquer ponto com internet.

Exemplo disso foi a cobertura feita pela Wikipédia no atentado em Virgínia. Num curto espaço de tempo e com a contribuição de 2.074 editores, segundo a última contagem, o site criou um artigo detalhado e bem feito sobre o ocorrido e com mais de 140 notas separadas. Porém, caso um destes editores quisesse, parte das informações dispostas poderiam ser corrompidas, como aconteceu no recente caso Essjay.

No Second Life, o slogan “você pode ser qualquer um, fazer qualquer coisa e experimentar a total liberdade” abre um leque de possibilidades para os usuários. O sistema nega ser um jogo, mas muitas pessoas o encaram desta forma. Então, mais uma vez, entram em cena os fakes, agora com rostos e roupas modificáveis em um clique e suas mais diversas intenções.

Adam Pasik, jornalista da Reuters, usa seu alterego Adam Reuters na cobertura do mundo virtual para a agência. Sobre os avatares (personagens dos usuários dentro do Second Life) como nova categoria de fontes, ele confessa não ter como confirmar a identidade de quem controla a personificação virtual. “Todos os avatares são únicos, tenho certeza que estou falando com a mesma pessoa”, explica o jornalista.

Os jornalistas devem ter um cuidado redobrado nesta “virtualidade”, principalmente ao lidar com informações num mundo tão maleável. Em todos os meios existem jogos de interesses, informações plantadas e manipulação de dados. A verdade, que é um dos principais fundamentos da imprensa, é configurável na versão on-line. A internet somente entra como um novo canal e, apesar dos bytes facilitarem em muito a vida, o fator humano não deve ser deixado de lado. Afinal, são as pessoas, com boas ou más intenções, que ainda apertam os botões e conduzem o mouse.

 

Joel Minusculi
Que não gostou do Second Life

 

Written by Joel Minusculi

julho 2, 2007 às 2:45 am

Publicado em Artigo, Internet

3 Respostas

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  1. […] Concordar ou não com um ponto de vista é natural do ser humano, dado nossa grande diversidade. Mas o interessante é saber defender aquilo que se quer, botar a cara para bater. É certo que esse conceito é subjetivo na internet, como explique em um artigo sobre a identidade na internet, aqui. […]

  2. Este artigo foi-nos sugerido por um/a leitor/a e, sendo confirmado o seu interesse, inserido no nosso directório.
    Não apague este comentário para manter o intercambio. Se quiser a remoção contacte-nos.

  3. LEGAL E BOM.

    YURIDIAS UZZUM

    novembro 21, 2008 at 5:45 am


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