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Cibercultura

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Segunda vida em primeira mão

Por Joel Minusculi para o Monitor de Mídia

Quando um popular jogo eletrônico, The Sims, encontra um comunicador virtual, como o MSN, surge o Second Life. O Second Life é um ambiente existente na grande rede mundial, de cadastro gratuito, mas com serviços especiais aos pagantes, e que possibilita uma segunda vida ao usuário, através de uma personificação chamada avatar. Esta recente mania da grande rede nega ser mais um simples entretenimento on-line e ostenta o título de primeira grande plataforma de interatividade comunitária virtual. A principal diferença desse sistema, comparado a tantos outros módulos do tipo, é sua repercussão além dos bits da internet. Já que isso é um crescente fenômeno global da sociedade, principalmente com a atual tendência de associar as plataformas eletrônicas aos outros meios, a imprensa aos poucos se adapta à virtualidade deste “admirável mundo novo”.

Desde o lançamento do Second Life, empresas de renome, como Nike e BMW, já construíram suas versões digitais dentro do programa. Isto movimentou muito o mercado de dólares e de lindens – a moeda virtual corrente da plataforma, com cotação, câmbio e influência relacionados com o dinheiro do mundo real. Esta abertura mercadológica também possibilita a expansão da visibilidade dessas empresas, dado o crescente número de freqüentadores da plataforma. É uma espécie de investimento direcionado, em que há uma grande demanda de usuários pagantes a ser atendida.

Com esse mesmo pretexto de procura, mas agora por informações, as agências de notícias e outros meios aderem gradativamente a esta novidade. Dentre as pioneiras está a Reuters, primeira a criar uma versão eletrônica, com direito a prédio de redação e equipe de avatares jornalistas. No Brasil, com a recente versão nacional do Second Life, o jornalismo da Globo também entrou nessa onda. Dentro do portal G1 foi criado o blog G2, exclusivo para a comunidade virtual brasileira com uma segunda vida.

O Second Life, desde sua versão definitiva em 2006, conta com um “jornal” próprio, o portal de informações Second Life Herald. Ele é um espaço em que os usuários podem sanar dúvidas acerca de detalhes técnicos, com avisos institucionais e notícias com cara de release. Ao perceber isso, o velho “feeling” dos grupos que entraram no serviço encontrou uma boa oportunidade: oferecer uma cobertura dos eventos e do cotidiano virtual, nos moldes do noticiário do mundo fora dos computadores. Ou seja, a imprensa descobriu uma nova fonte de informações com grande potencial de desenvolvimento.

O cotidiano virtual imita a vida real. Por isso estes novos canais da imprensa possuem a mesma responsabilidade em transformar fatos em notícias. Porém há grandes desafios, como, por exemplo, lidar com o gigantesco fluxo de informações e humanizar o relacionamento através de máquinas. Isto acarreta tornar os assuntos interessantes para o maior público possível, inclusive para quem está fora dessa virtualidade. Isso promoverá a verdadeira democratização digital, quando as pessoas começarem a compreender a linguagem dos bytes e seu serviço através do canal da imprensa.

O tratamento das informações provindas desses novos ambientes cibernéticos é tão importante quanto as obtidas no dia-a-dia das ruas. Já o Second Life é um passo importante na convergência da percepção de realidades, só vista antes em obras de ficção ou nos devaneios de teóricos (um lindem para quem ligou isso tudo com algum pensamento de Jean Baudrillard ou de Pierre Lévy). Só a mídia não pode esquecer que existe um mundo com muitas coisas acontecendo além das telas dos computadores. Se a imprensa tiver isso em mente, ou melhor, na memória, só restará transcrever os códigos virtuais em notícias reais. Assim a vida em qualquer versão será muito interessante.

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Written by Joel Minusculi

junho 28, 2007 às 5:07 am

Publicado em Artigo, Internet

2 Respostas

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  1. Está aí algo do qual não faço parte.

    Entrei e não gostei!

    Seria uma vida dupla? Isso não é para mim, já estou até pensando em sair do orkut (perdeu sua função faz tempo)…

    Ando sem tempo para essas “brincadeiras” virtuais… 🙂

    Raquel

    junho 28, 2007 at 7:14 am

  2. ta aí uma coisa que não quero nem entrar. Já basta os vícius que tenho! Vou tentar não entrar nesse!

    pandini

    junho 29, 2007 at 10:46 pm


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