REFÚGIO

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Black Snake Moan

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O ditado popular sentencia que água morro a baixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar ninguém segura. Com essa premissa e um roteiro exótico embalado por muito blues, Black Snake Moan (em uma tradução livre, O lamento da serpente negra, 2007) é a prova de que para tudo há uma solução, mesmo que você tenha que usar uma corrente bem grossa para isso.

Lazarus (Samuel L. Jackson, do também relacionado a cobras, Snake on the Plane, 2006) é um velho cantor de blues, que vive no interior, seguindo preceitos morais e da igreja que freqüenta. Ele acabou de ser abandonado pela esposa, que fugiu com o seu irmão. Por outro lado, Rae (Christina Ricci, a eterna Vandinha hoje crescida da Família Adams, 1991), mesmo nascida no interior, tem a vida mais agitada. Seu namorado, Ronnie (Justin Timberlake, ex-NSYNK), foi para a guerra e a deixou a mercê de seu problema pessoal: ela é ninfomaníaca, ao extremo.

O caminho dos protagonistas se cruza depois que Rae vai a uma festa para matar a sede de seu corpo. Lá ela bebe e se droga para tentar esquecer seu problema, mas acaba como um alvo fácil para aproveitadores de plantão. Entre estes estava um amigo do seu namorado, que frustrado em não conseguir botar sua “cobra” nela, espanca e abandona Rae em uma estrada perto da casa do velho cantor de blues.

Depois de resgatar a jovem desolada na estrada como um bom samaritano, Lazarus descobre sobre a vida promíscua de Rae. Assim vê esse encontro como um designo divino, para que ele seja uma cura ou a pior das fraquezas dela. A partir disso, a trama se desenvolve na tentativa de imposição dos extremos e os verdadeiros motivos das ações de cada um.

O filme chama a atenção pelo visual desde a capa, no estilo das revistas pulp. Já a fotografia lembra muito os longas dos anos 80. A trilha sonora, totalmente em jazz e blues, é um ponto alto, com interpretações de velhas canções pelo próprio Lazarus. O roteiro tem situações inusitadas, pontuadas com diálogos espontâneos, sem qualquer formalidade ou pudor, que dão um toque especial para as atuações.

Samuel L. Jackson mantêm seu estilo durão de ser, em um Lazarus impassível e devoto a sua causa. Porém, no fundo, seu personagem é ressentido e triste como um blues. Já Christnina Ricci, desde o filme Monster, abandona o rótulo de menininha e emana feromônio pela tela. Mas sua Rae, na verdade, é uma vítima dos fatos e da falta de atenção a sua pessoa, e não ao seu corpo e desejo insaciável.

Destaque para a simbologia da corrente da história. Usada normalmente como um fetiche erótico ou para provar submissão, no filme simboliza as amarras do puritanismo e da moral impostos pela sociedade. Outro ponto são as fraquezas dos personagens, que são a motivação para um cuidar do outro, mesmo com todos os problemas.

O filme pode ter um caráter apelativo na primeira impressão e como o próprio nome sugere. Com a soma de todos os elementos, mesmo com humor “negro” nas situações, o filme não deixa de ser um drama. Porém é uma produção um tanto desenvolvida, que explora conceitos da personalidade dos personagens e da sociedade em geral, sem a preocupação do certo ou do errado.

 


Black Snake Moan (2007)
Roteiro: Craig Brewer
Direção: Craig Brewer
Duração: 116 minutos
Gênero: Drama

O filme foi lançado nos Estados Unidos direto em DVD, por ter sido considerado inadequado aos padrões do cinema. No Brasil também acontecerá o mesmo, porém sem previsão de chegada.

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Written by Joel Minusculi

junho 20, 2007 às 11:14 pm

Publicado em Cinema

2 Respostas

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  1. Boa resenha Joel. Lembrando que o amigo do Justin não conseguiu colocar a “pequena” cobra dele, pois segundo a própria Ricci “ela não tem nem metade do tamanho da do Therone”.

    aahahahhahahua

    Assisti o filme ontem e é muito bom mesmo. Acrescento ao teu texto, mais especificamente sobre a corrente, que ela serve também como instrumento de purificação e perversão no sentido que Ricci a usa para tentar se livrar de seu pecado (talvez satisfazendo-a com ela) e como elo que ligou-a a Samuel L. e posteriormente a Justin.

    Kadw

    junho 21, 2007 at 11:28 am

  2. Identifico-me com este filme, gostei muito de o ver… mostra que a vida é mesmo assim “complicada” e que o segredo para continuar está em superar essas situações e tentarmos ser pessoas melhores…

    CÁTIA

    abril 8, 2011 at 10:16 am


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