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V de Vingança

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V

Idéias são imortais, mas podem ser dramaticamente alteradas. É isso o que pensam os fãs da nona arte, em relação à adaptação de V de Vingança (V for Vendetta, 2006). O longa metragem de 132 minutos, dirigido por James McTeigue , foi um blockbuster de sucesso nos cinemas e um item difícil de ser encontrado nas prateleiras das locadoras, agora com o lançamento em DVD. “Isso é errado ou eles querem que você pense que é errado?” (V).

Guido Fawkes, mais conhecido como Guy Fawkes (1570-1606), era um soldado inglês católico, que teve participação na Conspiração da Pólvora. Esse movimento teve como objetivo assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros do parlamento, durante a sessão em 1605. Com isso houve um levante católico, no qual Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam usados para explodir o parlamento durante a sessão.

Porém a conspiração foi desarmada e após o seu interrogatório e tortura, Guy Fawkes foi executado na forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes da conspiração acabaram tendo o mesmo destino. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de Novembro, na “Noite das Fogueiras”. “Remember, remember, the 5th. of November” (V).

Diferente dos quadrinhos, em que era uma simples nota de rodapé, a história de Guy Fawkes, que inspirou a personagem do V, teve destaque no início do filme. Uma seqüência que ajuda aos não ambientados na história a entender a linha de ação e os motivos do semblante mascarado. Neste ponto, o cinema conseguiu contextualizar melhor que o papel. Mas há diferenças, mesmo sutis, que alteram a vendeta original.

Na história da revista ocorreu uma grande guerra nuclear, e não atentados biológicos. A principal diferença é que, enquanto o filme tem como alvos principais Bush, Blair e suas estratégias em usar o medo para manterem-se no poder, os quadrinhos são voltados para criticar a primeira ministra inglesa, da época em que foram concebidos: Margaret Thatcher.

Quando David Lloyd e Alan Moore idealizaram V de Vingança, o mundo vivia um contexto diferente, da realidade dos roteiristas iconoclastas do longa, os Irmãos Wachowski. Depois de um 11 de setembro nos EUA, de explosões em metrôs na Espanha e em ônibus na Inglaterra, não é nada fácil criar um herói que saia por aí detonando coisas. “O povo não deveria ter medo de seus governantes. Os governantes que deveriam ter medo do seu povo” (V).

Uma fotografia sombria, com a maioria das cenas à noite ou em interiores, ajudou a mostrar o clima de medo e trevas que a população mundial vivia. Os efeitos especiais contaram muito. As explosões não deixam a desejar. Mesmo com o corpo-a-corpo não sendo a principal arma do V, os Wachowski souberam aproveitar as cenas de ação, recriando o famoso efeito em câmera lenta, usado em Matrix (1999), no “knife time”.

Natalie Portman, (Closer, 2004), como a jovem Evey Hammond, conseguiu transmitir o medo e os dilemas que a personagem enfrenta durante a história. Inclusive com a extrema dedicação ao projeto, em que chegou realmente a raspar a cabeça para as cenas de tortura. Hugo Weaving, a carne e o sangue por baixo da máscara e da capa (e também o Sr. Smith de Matrix, 1999), é o espetáculo a parte na interpretação do vingador. No áudio original em inglês, as declamações do V são passadas com emoção à causa.

O filme retirou todas as idéias e diálogos principais dos quadrinhos, para concretizar o que a linguagem do cinema exige. Alterou alguns nomes e excluiu outros muito importantes, como o supercomputador “Destino”, o big brother essencial para entender o regime de medo e fiscalização pelo poder da história. A essência do gibi foi mantida somente na imagem, por ser uma outra linguagem os quadrinhos têm mais conteúdo e nuanças do que a película.

Com um final totalmente alterado, o que resultou na não assinatura nos créditos do autor Alan Moore, o filme, assim como a maioria das idéias, tem duas interpretações. Para aqueles que não conhecem a história original, o longa se torna mais um filme com cenas empolgantes e com um personagem com roupas e ações legais. Para os Irmãos Wachomski, nem a capacidade de desviar de facas os livra do desejo de vingança dos seguidores de Moore. “Liberdade, sempre!” (V).

V de Vingança (V for Vendetta, 2006)
Roteiro: Andy Wachowski e Larry Wachowski,
baseado nos personagens criados por David Lloyd e Alan Moore
Elenco: Natalie Portman, Hugo Waving, John Hurt
Direção: James McTeigue
Duração: 132 minutos
Gênero: Ficção Científica

Written by Joel Minusculi

junho 11, 2007 às 12:34 am

Publicado em Cinema

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