REFÚGIO

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O Labirinto do Fauno

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A fantasia sempre é associada aos sinônimos de escapismo, da fuga da realidade. Em todas as suas formas é um refúgio, uma proteção contra os problemas ou simplesmente uma alternativa para um mundo chato. Com esses elementos, o diretor Guilherme Del Toro (o mesmo de Hellboy, 2004) cria na tela com O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006) uma história cativante, digna dos chamados contos de fadas.

O cenário principal é a Espanha, no final da Guerra Civil. Alguns rebeldes ainda combatem nas montanhas ao norte de Navarra. Ofélia (Ivana Baquero), de 10 anos, vai para a região com a sua mãe, Carmen (Ariadna Gil). Elas ficam abrigadas aos cuidados do novo padrasto, Capitão Vidal (Sergi Lópes) – um oficial fascista, que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade.

Sem se dar conta dos conflitos ao redor, a pequena Ofélia vaga por um bosque, ao redor de onde mora, e encontra ruínas antigas. Lá ela se depara com criaturas só conhecidas em seus livros e uma missão: provar ser a princesa que o Fauno guardião das ruínas procura. Além disso, a menina ainda precisa lidar com um padrasto tirano e o envolvimento com uma rebelde infiltrada em sua casa.

Apesar de o argumento parecer comum às fábulas infantis, o filme lembra em muitos momentos casos de terror. A falta de piedade na violência dos soldados para com os rebeldes e as criaturas fantásticas, que vêem nos humanos um lanche em potencial, não seriam aconselháveis para uma história antes de dormir. Além disso, cenas chocantes de espancamento e mutilações completam esta parte.

Entre todas as referências aos contos de fantasia, as da Alice de Lewis Carrol são as mais perceptíveis. Isso se estende desde a protagonista ser uma menina, que tem contato com um mundo paralelo habitado por seres fantásticos, até o vestido e fita ao mesmo estilo das ilustrações original da obra de Carrol. Mas isto não torna o filme uma adaptação, graças aos outros elementos, bem salpicados, como se fossem ingredientes em um caldeirão de bruxa.

A transposição de madrasta-bruxa má (lembram da Branca de Neve?) para padrasto malvado e general fascista sem escrúpulos piora muito mais as coisas, pois a ameaça é real e é perigosa até com uma garrafa. Assim fica fácil a pequena Ofélia não ter medo do aspecto do Fauno, de entrar numa toca cheia de insetos, encarar um sapo gigante e roubar comida no banquete do “homem pálido”.

O filme brinca em muitos momentos com a questão do que é real ou apenas a imaginação da menina. Os dois mundos, regidos por suas próprias regras, exercem influência um no outro. E, mesmo com a ajuda da fantasia, as coisas podem ser muito complicadas, mesmo quando a inocência de Ofélia não é párea à falta de escrúpulos dos homens do mundo real.

O espectador não pode esperar uma história do estilo Disney de um longa que foge de todos os padrões hollywoodianos. Mesmo com três estatuetas do Oscar®, O Labirinto do Fauno não recebeu as devidas atenções das salas de cinema brasileiras, sendo renegado aos poucos festivais de cinema do país. Uma punição injusta, para um filme que só quer mostrar a realidade de quem fantasia por um mundo melhor.

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006)
Roteiro: Guillermo del Toro
Elenco: Ivana Baquero (Ofelia), Doug Jacob (Fauno / Homem pálido), Sergi López (Capitão Vidal), Ariadna Gil (Carmen)
Direção: Guillermo del Toro
Duração: 112 minutos
Gênero: Suspense

Written by Joel Minusculi

junho 11, 2007 às 1:59 am

Publicado em Cinema

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