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Motoqueiro Fantasma

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O primeiro filme de heróis desse ano abriu em grande estilo a safra nos cinemas. Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider, 2007) tem os pontos positivos dos longas desse gênero e consegue manter a fidelidade com os quadrinhos nos quais é inspirado. Mark Steven Johnson é o roteirista e diretor (o mesmo do fiasco Demolidor, 2003, em que o expectador tem que ser um “homem sem medo” para suportar a artificialidade dos elementos) e, desta vez, conseguiu empolgar.

No início do filme é explicado como um demônio chamado Mefisto faz seus contratos, trocando almas por desejos. Dentre estas apólices, esse “coisa ruim” a cada geração escolhe um dos infelizes para ajudar a cobrar os contratos, como uma espécie de justiceiros do inferno. Aí entra a história no velho-oeste de um antigo “rider”, o Cavaleiro Fantasta (este até merecia um filme próprio). Este foi incumbido de cobrar o contrato de um “vilarejo com 1000 almas perdidas, que afundou no próprio sangue”. Mas, como ele não queria dar tanto poder ao diabo, resolveu esconder o contrato.

Logo depois são apresentados os Blazes, pai e filho que apresentam números de motocicletas em um circo. O jovem Jonny Blaze (interpretado por Matt Long) tem o coração dividido entre suas motos e a jovem Roxanne Simpson (interpretada por Raquel Alessi) – problema é que a jovem é proibida de ficar com o motoqueiro. Então entra a parte do romance da história, em que o Jonny fica dividido entre fugir com Roxanne ou ficar com seu pai, que está muito doente.

Jonny fica desolado, até receber a visita de um estranho, que sabe muito sobre ele e propõe ajudar seu pai. Tudo que ele precisava fazer era assinar um contrato pela cura da doença, em troca da sua alma e alguns favores… Então, logo após uma reviravolta do destino, o filme dá seu segundo salto temporal, agora com Jonny Blaze adulto (interpretado por Nicolas Cage) e a história começa pra valer.

Daqui em diante, tudo que é possível dizer é que Coração Negro, filho de Mefisto vem a Terra em busca do contrato das 1000 almas, para ter mais poder que o pai. Mas ele não vem sozinho, pois está acompanhado dos Arcanos – anjos decaídos, com poderes elementais. O Mefisto então vai cobrar o contrato de Jonny Blaze e o transforma no Motoqueiro Fantasma – uma entidade auto-intitulado o Espírito da Vingança, que persegue os que considera “pecadores” e que não compartilha da personalidade de Jonny.

Como é possível perceber, o roteiro é baseado nos principais argumentos do velho-oeste, com caçadores de recompensa e uma vingança arquitetada – além da história se passar no Texas. Isso se estende também para o clima do filme, em que as motos são os “cavalos motorizados”, o ímpeto de Jonny é digno de um cowboy destemido, um coveiro misterioso que masca tabaco (e cospe de cinco em cinco minutos) e o visual dos vilões, com sobretudos, faz parecer que saíram de um filme do Trinity.

Os habituais elementos cômicos e de ação, dos atuais filmes de heróis, estão muito bem distribuídos. Nicolas Cage, um fã declarado de quadrinhos, como Jonny Blaze faz boas tiradas, principalmente para reconquistar a jornalista Roxanne – interpretada por Eva Mendes. As cenas de amor, em muitos momentos, parecem tiradas de um filme da sessão da tarde, talvez para contentar as namoradas arrastadas para o cinema para ver um filme desses.

O diretor teve muita coragem em colocar os dois principais vilões do Motoqueiro – Mefisto e Coração Negro – no primeiro filme. O que deixou a desejar foi a praticidade com que os capangas Arcanos são eliminados. Mas tudo é compensado pelos efeitos especiais empolgantes e que deixaram a moto com um visual muito bacana – são incríveis as cenas em que a o motoqueiro roda pela cidade, derretendo o asfalto e explodindo os carros por onde passa. Tudo isso elaborado e encaixado numa das pós-produções mais longas da história – o lançamento era previsto para 4 de agosto de 2006.

Outra coisa que chama a atenção é que os trailers não fazem jus à história. Pelo que é possível entender com a edição de falas e imagens das prévias, Jonny Blaze morre durante uma de suas apresentações e volta à vida, por um contrato do demônio, pela jornalista. Sorte dos fãs, já que a trama se manteve fiel aos quadrinhos.

Motoqueiro Fantasma não é a melhor adaptação de heróis produzida, muito menos um filme para “esfriar a cabeça”, mas consegue seus méritos no difícil mundo das adaptações. Resta agora acompanhar as cifras da produção é torcer que, para uma possível continuação, o diretor não precise vender a alma para o demônio para um bom filme.

O Motoqueiro Fantasma (The Gost Rider, 2007)
Roteiro: Mark Steven Johnson
Elenco: Nicolas Cage (Johnny Blaze / Motoqueiro Fantasma), Eva Mendes (Roxanne Simpson), Peter Fonda (Mefisto), Wes Bentley (Coração Negro)
Direção: Mark Steven Johnson
Duração: 114 minutos
Gênero: Aventura

Written by Joel Minusculi

junho 11, 2007 às 2:13 am

Publicado em Cinema

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