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A noiva cadáver

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Como transformar algo fúnebre e sombrio num conto cativante? Simplesmente coloque Tim Burton na produção. Este diretor, que não precisa de antecedentes para a apresentação, possui o dom de cativar o público através da vivacidade de suas personagens, mesmo com o fato de algumas vezes elas estarem mortas. Em A Noiva Cadáver (The Corpse Bride, 2005), Burton faz parceria com Mike Johnson e não foge à regra.

Nesta animação em stop-motion – produção feita com bonecos reais, filmados quadro a quadro – é contada a história de Victor Van Dorst, filho de um emergente casal de comerciantes de peixe, arranjado em casamento para Victoria Everglot, filha de um decadente casal da alta-sociedade. Num “plano” de interesses dos pais, tudo é arrumado nos “mínimos detalhes” para que aconteça a união dos jovens.

Mesmo com o aparente amor à primeira vista, o jeito atrapalhado de Victor cria dificuldades para concretizar a união. Frustrado, o jovem noivo caminha desiludido por um bosque perto da cidade. Sem ter noção do que faz, ele ensaia os votos sagrados entre galhos secos. Mas, acidentalmente, a aliança termina na mão de uma noiva não tão corada quanto a outra…

Durante os 78 minutos do longa, a narrativa percorre o mundo dos vivos, nas ruas “sem vida” de uma Inglaterra da Era Vitoriana, e o mundo dos mortos, com personagens que não vêem problemas em não ter um coração pulsando. Essa contrariedade e contraste servem para mostrar o universo de Burton, que, ao mesmo tempo em que critica a burocracia dos vivos, consegue tornar apaixonantes personagens que muitas vezes são usados para causar medo.

Essa brincadeira de vivos-mortos e mortos-vivos é presente desde as cores borradas e frias das roupas dos aristocratas, até a animação ao ritmo de jazz dos finados. Pela produção lidar com mínimos detalhes, presente desde os movimentos milimétricos captados dos personagens, cada elemento no cenário se enquadra na história.

Tudo é narrado com muito humor negro e tiradas sarcásticas. Vale a pena conferir o filme no áudio original, em que Jhonny Deep (de A Fantástica Fábrica de Chocolate, 2005) empresta sua voz para Victor e Christopher Lee (também da A Fantástica Fábrica de Chocolate, 2005) para o pastor Pastos Galswells. Uma curiosidade: Deep no seu quinto e Lee no seu terceiro filme com Burton, incluindo a readaptação da “Fábrica”.

Outro que repete parceria com o diretor é Danny Elfman. A trilha sonora composta pelo ex-líder da banda Oingo Boingo é uma verdadeira ópera. Através dos graves e agudos da orquestra, o espectador fica preso nas rimas que ajudam a contar a história. A cena do dueto de Victor e da noiva cadáver, no piano do mundo dos mortos, merece destaque, pois é muito bem elaborada e coreografada musicalmente.

Apesar de todas as brincadeiras, Tim Burton consegue transformar a história numa verdadeira fábula, como dos Irmãos Grimm, em que transmite a moral sobre o amor e o valor à vida de quem se ama. Algo difícil, levando-se em consideração o cenário além túmulo, que tem muita gente morrendo para poder entrar.

A Noiva Cadáver (The Corpse Bride, 2005)
Roteiro: Caroline Thompson
Elenco (vozes): Johnny Depp, Christopher Lee, Helena Bonham Carter
Direção: Tim Burton
Duração: 78 minutos
Gênero: Comédia

Written by Joel Minusculi

junho 11, 2007 às 12:49 am

Publicado em Cinema

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