REFÚGIO

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A síndrome do eu também

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Uma grave epidemia atinge toda a humanidade. Não! Não é a gripe do frango que voltou na Ásia. Também não é a febre aftosa que é pior para o pessoal que mexe com bovinos, do que aquele tal boi “Bandido”. Tudo começou há pouco tempo atrás, com um outro bandido. Tem uma frase muito interessante na física que diz: “No universo nada se perde, tudo se transforma”. Se for analisar por isso, há algumas mutações muito estranhas nos dias de hoje.

Pois bem, voltando ao início de tudo, a história começa em Brasília. Um tal Deputado, Roberto Jefferson, pegou a síndrome do “Ele também”. Começou com os sintomas básicos, como alucinações, hipocondria alheia, transtorno obsessivo compulsivo na fala (“Vossa Senhoria…”), com demais sintomas que dependem de interpretações, chegando até à interpretação de loucura.

Essa doença possui um fator de proliferação muito grande. Algum tempo depois, todos aqueles a quem Jefferson se direcionava ficaram com essa síndrome. Parecia que o parasita controlava os hospedeiros, que de uma forma sucessiva, passavam para outros a síndrome. Até chegar ao ponto de chegar num tal de Lula, que não era um eqüino como no caso da Ebola, mas estagnou a doença.

Durante todo o tempo, ficaram sob observação. Mas o caso é que a população recebeu, de forma “hipodérmica”, as supostas curas para o problema. Nesse caso, outra profissão foi necessária. Ao invés de médico, ou veterinários como as outras doenças em alta hoje, jornalistas faziam a biopse (para não falar de necropse, em alguns casos) do corpo político para resolver o problema.

Como o vírus da Aids, que tem seus “picos” no Carnaval, essa síndrome evoluiu. Maria Rita lançou seu segundo disco. Para a divulgação, foi dado para jornalistas (eles de novo?) um kit com CD, DVD e um iPOD. Um fator chamado jabá fez com que surgisse a síndrome do “Eu também”. Depois que um jornalista de uma revista chamada “Carta Capital” devolveu o iPOD, por considerar suborno para uma boa crítica, houve um alvoroço. Outras revistas como a Veja também devolveram e teceram comentários sobre o caso. E assim, sucessivamente, outros meios que receberam o kit também disseram a mesma coisa.

Em outro caso, nessa época do referendo, a revista Veja criou um marco na imprensa. Quebrou o dogma de imparcialidade e tomou uma posição para a votação. Não que isso seja tão ruim, mas que foi um assunto que ficou na boca de muitos jornalistas (de novo?) isso foi. E como a síndrome não perdoa, o jornal A Notícia, de Santa Catarina, também tomou uma posição. Não que isso seja tão ruim… Bem, acho que essa parte é a mesma de antes.

Essa doença deve ter período de incubação. Desde pequenos crescemos dentro de padrões determinados e fazemos coisas que todos também fazem. Os meninos devem ser bons no futebol no Brasil, porque o Pelé também foi. As meninas devem ser prendadas e cuidar da casa, porque suas mães também foram. Até nas idéias, mas daí isso é chamado de plágio. Todos, na maioria das vezes, fazem coisas porque os outros também fazem.

Como outras enfermidades, a síndrome do “Eu também” não aparenta ser tão grave. As vezes é estranho não ter, pois muitos querem que você seja aquilo que os outros também são. Como disse Henrique, um jogador de sinuca dos bons, devemos mudar “lo todo” quando não conseguimos fazer do nosso jeito as jogadas.

Enquanto isso, “eu também” continua pelo mundo. Nas palavras do Chacrinha: “No universo nada se cria, tudo se copia”. Também, nesse mundo fast, temos que cuidar para não sucumbir, já que é mais fácil se deixar levar. Mas isso aqui é só também outro texto, cheio de hipóteses e teorias. Quem sabe, um dia “você também” pode estar fazendo a diferença.

Written by Joel Minusculi

maio 25, 2007 às 7:05 pm

Publicado em Crônica

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