REFÚGIO

comunicação, tecnologia e outros devaneios

Balada de um amor só

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Sozinho

A alma clamava enquanto as mãos acariciavam. O toque, mesmo sutil, transmitia para o coração a força mais avassaladora do universo. O corpo implorava e a essência já estava entregue. Caso se soubesse a textura dos anjos, certamente aquela seria a mais celestial.

Ela estava ao ritmo da noite, enquanto ele seguia as batidas do coração. Conversa solta com os amigos vão, bebidas vêm, mas o que embriagava os sentidos dele era a simples presença dela. Tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe.

Entre reggaes e rocks, a sinfonia que os ouvidos dele percebiam, em meio ao alvoroço da multidão, eram as palavras dela. E ninguém poderia ter noção da felicidade dele quando, além das palavras, a respiração dela tocava os ouvidos dele.

Ali o mundo dele girava. Até que eles pararam, se acomodaram e contemplaram a noite. Ela estava cansada, ele também. Ela então recostou a cabeça contra a fria poltrona, mas quem a acolheu foi o calor da mão dele.

Enquanto ele procurava um jeito de alcançar o coração dela, o seu toque deslizava sobre a pele macia do rosto dela. Ele explorava cada milímetro daquela face do paraíso, com aquela pequena colina, os lagos cristalinos e o pomar, que, mesmo sem ter provado, ele sabia que não haveria gosto mais doce.

Ele acariciava e desviava cada fio de cabelo do rosto dela, com o mesmo cuidado que os artesãos esculpem o mais fino cristal. Os dedos dele, como crianças cheias daquela felicidade que não precisa de explicação, corriam pela imensidão daquele campo com cheiro de flores.

Mas, assim como os dias, as noites também chegam ao fim. Tão subitamente e sem explicação, como um sonho interrompido, ela se levantou. Ele, talvez por devaneio dos sentidos, sentiu que ela não queria ir. Mas ela foi.

E ela se deixou levar pelo outro, o cansaço. O outro a acompanhou até onde o corpo dela encontraria o descanso daquela noite. Ele se aproximou para se despedir, queria sussurrar algo no ouvido dela. Mas um simples beijo resumiu o desejo dele de boa noite.

Depois disso, ele foi mais uma vez ao encontro da outra, a solidão. Velha amiga, que ele já compartilhou muitos momentos. Mas dessa vez, e por todas as outras, haveria uma certeza e mais alguém junto dele e da solidão: não importaria mais a distância, ela sempre estaria dentro do coração dele. Era o amor que ele sentia a força que girava seu mundo por ela.

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Written by Joel Minusculi

maio 22, 2007 às 2:09 pm

Publicado em Crônica, Literatura

Uma resposta

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  1. noooossa que coisa lindinha! vc fez uma percepção fantastica…. meus parabens…
    bjos neti

    marineti

    maio 17, 2008 at 1:25 pm


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