REFÚGIO

comunicação, tecnologia e outros devaneios

RPG – Diário de Campanha 3 – Eu como personagem

com um comentário

DIÁRIO DE CAMPANHA – FORGOTTEN REALMS

(ou “As Memórias de Sariel Valenae”)

Estes são relatos das aventuras de Sariel Valenae, eladrin mago que decidiu sair pelo mundo e encontrar sua verdadeira história.

Estudos sobre Dragões Negros

Registro 3 – 3 de Eleasias de 1372

Minha mão que segura a pena e registra as memórias de hoje ainda está trêmula. Se eu fosse dar um nome para o dia, como o Mago Louco deu para cada ano, chamaria de o “Dia das Provações”. Os corpos e as almas do grupo todo enfrentaram desafios inesperados, até mesmo para uma equipe composta pelas mais diversas habilidades dos integrantes. O desgaste é o cansaço são um fardo a mais em nossa bagagem...

Logo depois de conseguir informações do kobold sobrevivente, o grupo descobre uma trilha alternativa para o destino apontado pelo mapa da missão. O mapa apresenta um pequeno desvio da rota original, mas o grupo (menos o Velho) decidiu arriscar esse caminho. Caminhada um tanto quanto tranqüila, já que não havia mais o charco, até a chegada em um desfiladeiro.

Era uma queda alta, em torno de seus trinta metros. Enquanto folheava meu grimório em busca de alguma magia capaz de ajudar na descida, o Velho, o Sujo, Sarah e Agnata juntaram suas cordas para chegar até embaixo “no braço”. Mesmo com a força do grupo reunido, o desafio era grande (assim como a queda). Por isso tentamos de várias maneiras melhorar a descida: amarrando a corda na árvore e depois a corda ao redor da cintura de cada um.

O primeiro a descer foi o Sujo. No começou mostrou-se habilidoso na tarefa (tanto que trazia consigo um kit de escalada). Mas suas pernas curtas não foram suficientes para alcançar apoio nos metros finais e ele caiu como um saco de chumbo que escapou das mãos de um estivador. A sujeira da falta de cuidados pessoais sumiu embaixo da lama de sangue e terra que cobriu o Sujo.

Sarah, Zeromus e eu fomos descidos sem dificuldades (essas horas não vestir armadura pesada tem suas vantagens), já que a força de Agnata e do Velho foram combinadas. Já na descida da draconata houve um pouco mais de dificuldade, mas ela chegou sem mais problemas. O Velho então, sozinho, viu-se em uma posição complicada: como descer sem ajuda?

O Velho despiu sua armadura e equipamentos e mandou pela corda. Ele arriscou uma manobra um tanto arriscada (para não dizer um tanto suicida) de tentar arremessar-se com a intenção de descer mais rapidamente. Mas a sorte não estava ao lado dele. Desceu alguns metros de forma cuidadosa, mas uma pedra solta fez o Velho escorregar e quase ir de encontro ao seu criador.

Todos ajudamos o Sujo e o Velho a recomporem-se (quase que literalmente pelas fraturas expostas e luxações) e seguimos em frente. O caminho levou até uma grande clareira, um descampado com vegetação até a cintura. Em seu centro, um estranho círculo negro, como se queimado, chamou a atenção do grupo. Todos usaram seus conhecimentos para identificar a causa, já que Sarah disse não se tratar de um fenômeno natural. A conclusão que chegamos é que tratava-se de uma queimadura causada por magia (algo de grande porte).

O caminho levou-nos para a mata mais fechada, o que não mostrou ser um grande obstáculo com as orientações da patrulheira Sarah. Mas uma emboscada de hobgoblins trouxe muitos problemas.

Em primeiro lugar, fomos surpreendidos e cercados. Depois, lechas zuniram entre os galhos das árvores para encontrar o peito do Velho Paladino. Mangais giraram na direção da patrulheira, do Sujo e da draconata. E, por fim, pequenos goblins saíram impetuosos das moitas com suas lâminas na direção de Zeromus e na minha.

Pelo calor do combate e minha falta de experiência em tal situação, meu primeiro impulso foi me afastar da saraivada de flechas e pancadas de metal. Em poucos segundos, os atacantes pareceram dominar a situação tombaram um a um os integrantes. O primeiro a cair foi o Velho, seguido de Sarah e depois o Sujo. Os combatentes foram a linha de frente, que receberam a maioria dos golpes mais fortes.

Enquanto nossos companheiros caiam, Agnata, Zeromus e eu tentávamos sobreviver. Nosso suor começava a se misturar com nosso sangue, enquanto tentávamos fazer nossos golpes e magias acertar os inimigos. Agnata gritava incentivos para continuarmos, enquanto Zeromus procurava uma posição mais estratégica longe do combate e eu tentando queimar os inimigos mais próximos com meu fogo mágico.

A lâmina de um goblim foi então mais forte que minha magia e acabei trespassado por uma espada. Meu draconino, Dex, estava acordado e a última coisa que lembro é dele soltando um grito estridente tentando me proteger. O mundo das sombras me abraçou e tive um vislumbre do Palácio de Cristal. Vi outros de minha raça, que estavam de braços abertos para me acolher. Pareciam muito felizes em me ver (como se não me vissem muito tempo) e sabiam meu nome. Era quente, iluminado e acolhedor.

Tudo então ficou úmido, frio e sombrio. Acordei no meio da floresta, com Agnata forçando meu coração bater. O combate parecia ter acabado, mas a vitória de nossa parte ficou marcada com muito do nosso sangue. Armaduras pareciam como cascas de ovos pisoteadas por cavalos, os corpos estavam como salgueiros depois de uma tempestade e as faces carregadas de um sentimento de derrota.

O Velho bradava a falta de estratégia do grupo enquanto recebia as ataduras. Ele explicou como deveríamos ter agido, qual inimigo atacado primeiro e como proceder. Eu ainda estava zonzo e tentando recuperar, pelo menos, minha integridade física (pois meus trages pareciam ter sido lavados em uma poça de piche de sangue). O grupo tudo ficou em um clima tenso de como deveria ter agido ou não. Acredito que nosso pouco tempo união ainda não criou o entrosamento esperado pelo Velho, mas as cicatrizes desse combate vão nos fazer lembrar (da pior maneira) como lidar com inimigos.

Enquanto o grupo se recuperava, vaguei entre os corpos dos inimigos em busca de algo que pudesse ser útil. Acabei encontrando nos braços dos soldados inimigos faixas púrpuras, que logo lembrei serem um símbolo dos Zentharim[1], magos que usavam portais caóticos e que tem relação com a Torre Negra.

Sarah então se prontificou para agir como uma batedora e investigar o acampamento inimigo mais a frente. Enquanto isso, o resto do grupo ficou escondido em uma gruta natural nas raízes de uma árvore.Eis que surge uma nova provação: ficar em um lugar frio, úmido, apertado e com pouca ventilação com mais quatros suados, incluindo o Sujo. Mas acabei desistindo de fazer alguma coisa, já que meu corpo clama por descanso.

Nossa batedora volta com notícias de um agrupamento de cerca de 150 soldados goblinóides, reunidos com um ogro e um dragão (!) negro (o dragão não era tão grande, pois era “só um pouco mais largo que o ogro”, segundo a patrulheira). Além disso, havia um humano vestido em trajes negros de couro, com uma faixa púrpura demonstrando uma patente maior no comando. Cansados, discutimos sobre o que fazer (cada músculo do meu corpo quase falava para mim: “se você quisesse dor desse tipo, deveria ter ficado carregando livros na biblioteca arcana, que era mais seguro”).

Tenho que interromper as anotações agora, ouço inimigos se aproximando aqui de nosso esconderijo sob a árvore.

Lembrete 1: estudar “estratégias de combate”.

Lembrete 2: aprender a preparar poções de cura.

Lembrete 3: ficar vivo em um combate é a maior vitória.

Quantidade de dias relatados: 1 (bem longo)



[1] Os Zentharim são um grupo de magos do mal, sacerdotes, guerreiros e ladinos dedicado ao objetivo de alcançar o maior domínio possível sobre os reinos. Qualquer coisa que não pode ser controlada por eles é neutralizada para não constituir uma ameaça ou eliminada (a maneira mais comum de lidarem com seus problemas).

Escrito por Joel Minusculi

janeiro 27, 2010 em 7:47 pm

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RPG – Diário de Campanha 2 – Eu como personagem

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DIÁRIO DE CAMPANHA – FORGOTTEN REALMS

(ou “As Memórias de Sariel Valenae”)

Estes são relatos das aventuras de Sariel Valenae, eladrin mago que decidiu sair pelo mundo e encontrar sua verdadeira história.

Estas criaturas são kobolds.

Registro 2 – 3 de Eleasias de 1372

A batalha com os lobos deixou marcas no grupo, desde os tecidos finos da minha roupa, até na carne do Sujo (o mais atingido pelas presas caninas). Segundo a Sarah, matilhas não costumam atacar viajantes desse jeito, ainda mais por estarem acompanhados de um lobo atroz[1]. Assim, há duas possibilidades desse ataque ter acontecido: a primeira eles poderiam estar simplesmente caçando e o lobo atroz, talvez desgarrado, tomou esse bando como sua nova matilha; em segundo, os lobos poderiam estar acuados por terem se assustado com alguma coisa (talvez a estirpe de goblins?).

Depois das palavras inspiradoras de Agnata, concertar nossas roupas (minhas, na verdade) e apertar nossas fivelas, seguimos caminho pelas indicações apontadas no mapa nas mãos do Velho. Quanto mato! Apesar de eu não ter sofrido tanto quanto meus companheiros de armadura no caminho pela floresta, foi difícil conseguir manter mais de 10 passos uniformes (até agora fico me perguntando como Sarah faz para ter tanta facilidade em andar na floresta…). Mosquitos e urtigas foram piores do que as aulas de clarividência na Academia Arcana

Nossa caminhada então encontrou um impasse bem úmido. Havia um charco no meio do caminho apontado no mapa, tão firme quanto um pudim, que acabou engolindo Zeromus até as coxas. Prestativo, tentei ajudar, mas meus esforços foram inúteis. O Sujo mostrou ser tão forte quanto o cheiro do bacon em sua barba e em um puxão soltou o bruxo da lama.

Sarah explicou que para chegarmos no destino apontado no mapa tínhamos duas opções: seguir em frente, pelo charco, por cerca de seis horas; ou dar a volta no terreno pantanoso pela floresta fechada, com a possibilidade de encontrar mais perigos e com um tempo estimado de oito horas. O grupo discutiu prós e contra, até que lembrei se algo útil para situação: o Disco Flutuante de Tenser. Minha intenção era criar com magia um disco que suportasse o peso do grupo, mas minha habilidade não foi suficiente para isso. O resultado foi um disco capaz de levar, no máximo, dois integrantes do grupo por cima da lama.

Devo retirar todas as palavras que eu possa ter dito que o caminho estava difícil até esse ponto, porque a situação piorou! Oportunista, Zeromus logo garantiu seu lugar no disco na primeira parte do caminho, acompanhado do Sujo (o cheiro do bacon foi um preço um tanto quanto alto para o conforto). Infelizmente para sustentar a magia não podia usufruir das vantagens do disco e o jeito foi lançar-me na lama. Os demais companheiros também seguiram caminho, com muita dificuldade. Fomos obrigados a revezar a tripulação do disco em alguns momentos, pois o desgaste e cansaço físico foram grandes. Enfim, até mesmo após um tropeço da patruleira Sarah no meio da lama, conseguimos encontrar terreno seco.

O caminho no charco levou as seis horas previstas, suficientes para a chegada do anoitecer. O grupo decidiu descansar e montar acampamento (todos estavam visivelmente cansados, “com dores em lugares que nem imaginavam existir”[2]). Mesmo ainda não entendendo porque outras raças precisam dormir (a vantagem de ser eladrin e precisar meditar apenas quatro horas é o tempo útil durante a noite), ajudei a recolher lenha e acender uma fogueira. Sarah encontrou um lugar, segundo ela, seguro. Enquanto todos se preparavam para dormir, procurei uma pedra alta para estudar um pouco mais as magias (e em uma próxima vez criar um disco melhor) e ajudar nos turnos de guarda (o Draconino ficou na ronda pelo ar).

Nosso descanso não durou muito. No meio da noite, após a troca do segundo turno vigia, fomos surpreendidos por saqueadores (o Velho, Zeromus e eu chegamos a ver o perigo, mas não conseguimos acordar o Sujo, Sara e Agnata). As criaturas atacaram em ondas, o que somou mais ou menos uma dúzia de inimigos. Sarah e Agnata foram pegas de surpresa, ainda deitadas, mas isso não impediu que ambas ensinassem uma lição para as criaturas. O Velho segurou o ataque das criaturas que pareciam mais fortes, enquanto o Sujo esmagou os crânios dos infelizes mais próximos com seu martelo. Já Zeromus e eu nos concentramos nos artilheiros e nos agrupamentos, respectivamente (o bruxo proferiu muitas maldições, enquanto eu fiz os malditos voarem com minhas ondas trovejantes).

Após derrubar os inimigos, vimos que eram kobolds[3]. Empilhamos e incineramos os corpos, mas mantivemos um deles vivos para obter informações. Por nossa sorte, Agnata e o Velho falavam dracônico (mais tarde eu lembrei que eu também falava esse idioma, mas por um lapso esqueci). O kobodt, depois de dizer que era apenas um saqueador e que estava junto com sua família, disse que viu muito movimentação de goblins na região, inclusive acompanhados por um dragão (!) negro. Agnata ficou com certo peso na consciência após descobrir que o grupo matou a família do kobolt. Mas como são criaturas sem escrúpulos, conseguimos convencê-la que impedimos de ocorrer novos ataques.

Termino meus relatos hoje no amanhecer do dia 3 de Eleasias, enquanto o grupo recolhe acampamento e prepara-se para seguir um caminho indicado pelo kobold sobrevivente. O novo caminho é um desvio da rota apontada pelo mapa. Apesar da possibilidade de um dragão no destino, o grupo segue confiante.

Lembrete 1: Eu SEI falar dracônico.

Lembrete 2: Aprender magia para fazer a segurança do acampamentos.

Lembrete 3: Lembrar de voltar ao caminho apontado para o mapa depois de investigar o dragão (!).

Lembrete 4: Conseguir equipamentos para facilitar investidas na floresta.

Quantidade de dias relatados: 1

[1] Animal Atroz: versão maior, mais forte e mais resistente das criaturas normais.

[2] Essa frase surgiu como se sussurrada na minha cabeça.

[3] Os kobolds veneram os dragões e costumam residir próximos ou dentro de onde essas criatura estabelecem seus covis. Eles se espreitam na escuridão, escondendo-se de inimigos mais fortes e se amontoando para derrotar os mais fracos. Os kobolds são covardes e geralmente fogem quando estiverem sangrando, a menos que haja um líder forte presente. Os kobolds gostam de armar armadilhas e emboscadas. Se não conseguirem fazer que seus inimigos caiam numa armadilha, eles tentam se esgueirar o mais perto possível e atacar subitamente.

Escrito por Joel Minusculi

janeiro 19, 2010 em 6:50 pm

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RPG – Diário de Campanha 1 – Eu como personagem

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DIÁRIO DE CAMPANHA – FORGOTTEN REALMS

(ou “As Memórias de Sariel Valenae”)

Estes são relatos das aventuras de Sariel Valenae, eladrin mago que decidiu sair pelo mundo e encontrar sua verdadeira história.

Grupo da Campanha de RPG em Forgotten Realms

Registro 1 – 1º. de Eleasias de 1372

Ano de 1372 CV[1], o “Ano da Magia Selvagem”[2]. Já é alto verão e o dia 1º de Eleasias traz consigo o Encontro dos Escudos – festival que acontece todos os anos para celebrar a paz no Vale da Batalha. Como todos os anos, as cidades da região enviam suas comitivas para se encontrar, trocar mercadorias e aprender um pouco com os diversos tipos, de todos os cantos.

A comitiva dos magos de Cormir comparece com suas mais novas descobertas do meio arcano (e dessa vez eu, Sariel Valenae, acompanho meus mestres pela primeira vez em viagem). Outros reinos com expressivos visitantes são da Terra do Vales e aquele “povinho” de Sembia (meus mestres dizem para nunca deixar o cajado longe de vista quando for para lá…).

Nesse ano, o Encontro dos Escudos acontece nas imediações da mansão de Lorde Aencar, figura muito influente na região e de várias posses. O terreno oferecido comporta tranquilamente todas as tendas de especiarias, artesanato, bebidas, armas e itens mágicos (durante o dia tive que ficar atendendo, enquanto os mestres aproveitavam o festival...). A paz, porém, não durou muito tempo durante as festividades.

No fim da tarde, enquanto recolhia o material da barraca de especiarias mágicas, percebi um objeto estranho em chamas sendo arremessado contra a área do Encontro dos Escudos. Curioso fui verificar a situação. Para minha surpresa era um preparo que incendiou uma tenda de alimentos (fogo alquimico, talvez). Vi que uma elfa, vestida como o povo da floresta, também percebeu o incidente.

Imediatamente, lembrei dos ensinamentos de meus mestres e conjurei um balde d’água para tentar abrandar o fogo (é um dos truques mais básicos, mas muito útil em momentos como esse). A elfa afastou os desavisados que não perceberam o fogo. Enquanto outras pessoas começaram a perceber as chamas, goblins saltaram de um bosque das imediações e irromperam em ataque.

Malditos! Logo vieram para cima de mim, rasgando meus trajes e manchando os tecidos finos com meu próprio sangue. Ao mostrarem hostilidades, outros forasteiros como eu apareceram empenhados em combater as criaturas. Os mais próximos de mim e que chamara a atenção foram: uma Draconata, de um ímpeto tão intenso quando o vermelho de suas escamas; um Velho (quase no fim de sua breve existência humana) empunhando em uma mão um símbolo de algum deus (que não me recordo) e uma espada que pareceu ter sido bem usada já; um Anão que tinha uma arma quase maior que ele (que duvidei se iria acertar algum golpe pelo tamanho da caneca que carregava antes…); a Elfa, que antes mostrou dinâmica ao ajudar as pessoas, apresentou-se com grande habilidade no arco e na espada contra a ameaça; e um Tiefling (!), que a primeira vista parecia o filho de um demônio do 9º Inferno, mas que mostrou atitude cooperativa (utilizador de artes arcanas “infernais”).

O impasse com os goblins foi resolvido entre chamas nas barracas. Logo depois disso, um guarda do Encontro dos Escudos fez um pronunciamento com a intenção de recrutar interessados em ajudar na exploração da área. Falou-se algo sobre círculos mágicos e que os goblins poderiam ter vindo da mata fechada. Troquei algumas palavras com os forasteiros que me chamaram a atenção durante o combate, mas cada um foi para o seu canto.

Ao voltar e conversar com meus mestres, percebi um clima tenso (inclusive com indiferença da parte deles…). Resolvi então formar uma equipe e investigar os tais círculos mágicos para meus mestres (mesmo eles não se importando com o que eu faria) (apesar do empenho de meus mestres em me ensinar as artes arcanas, parece que sempre preciso provar algo para eles). Logo pensei nos bravos guerreiros que ajudaram durante o combate. Um a um fui atrás deles e nos dirigimos para o alistamento (procedimento necessário, caso alguém não voltasse).

Durante o alistamento, descobri o nome e a origem de cada um deles:

- Agnata, a Inspiradora (jogadora: Renara), Draconata Senhora daGuerra, veio do Vale da Adaga;

- Sarah, a Lépida (jogadora: Tati), Elfa Patrulheira, da Terra dos Vales;

- Regdar, o Velho (jogador: Willson), Humano Paladino, da Terra dos Vales;

- Thoradin, o Sujo (jogador: Donel), Anão Guerreiro, de Sembia;

- Zeromus, o Intrigante (jogador: Willian), Tiefling Bruxo, de Sembia.

- Sariel Valenai, o que escreve essas memórias (jogador: Joel), Eladrin Mago, de Cormir.

Depois do cadastramento (e alguns problemas pela falta de higiene do Sujo e a precariedade da armadura do Velho), voltamos aos nossos acampamentos para passar a noite e recobrar as energias para a expedição do dia seguinte.

O dia começou com o pronunciamento do general Donavan, chefe da guarda do Encontro do Escudo, e em seguida pegamos informações sobre nosso trajeto. O Velho Paladino tomou a frente do grupo e mostrou que sua experiência em combate pode ser útil em gerir a equipe. Seguimos em direção ao nosso destino e, enquanto isso, conversamos sobre o que cada um conseguiu juntar de informações, principalmente Agnata.

O que sabemos até então é que os tais círculos mágicos eram utilizados antigamente como portais pelos elfos que viviam na região. Alguns deles ainda podem estar ativos e estar sendo utilizados pelos goblins. Além disso, as tropas foram mobilizadas para fazer a guarda do perímetro da cidade, onde acontecia o Encontro dos Escudos. Zeromus ainda ouviu boatos sobre o envolvimento da “Torre Negra”, um local referente a uma grande guerra que aconteceu há algumas décadas.

Nosso mapa levou o grupo por uma fazenda abandonada, onde encontramos resquícios de um acampamento goblin (provavelmente dos que realizaram o ataque no dia anterior). Sarah conseguiu encontrar rastros de goblins, que vinham da mesma direção que aponta nosso mapa (será que estamos no caminho de descobrir algo importante?).

Ao adentrar a mata fechada, fomos surpreendidos por uma matilha de lobos (inclusive um com aparência mais “invocada”). Mais uma vez, o combate direto não mostrou ser meu forte. Apesar de animais selvagens, os lobos deram certo trabalho para o grupo, porém, depois de muitas mordidas e uivos, conseguimos derrotas as ferras.

Este relato foi escrito durante a retomada de fôlego após a batalha com os lobos. Enquanto acabo de grafar estas últimas linhas, o grupo já começa a apertar o passo para o trajeto proposto. Na volta para a cidade, continuo o relato.

Lembrete 1: Arrumar um jeito de tirar o cheiro do Sujo.

Lembrete 2: Convencer o Velho que a boa aparência do seu equipamento pode ser interessante.

Lembrete 3: Tomar mais cuidado quando alguém com uma espada chegar perto demais.

Lembrete 4: O Draconino ainda não tem muita experiência em combate (tomar cuidado com ele).

Lembrete 5: Tentar descobrir o motivo da preocupação de meus mestres.

Quantidade de dias relatados: 2

[1] Cômputo dos Vales (CV): O Cômputo dos Vales começou no ano em que os humanos receberam a permissão da Corte Élfica para se assentarem nas regiões mais abertas das florestas. As informações nesse texto são precisas até o final de 1367 CV. Em alguns textos, principalmente aqueles que não têm uma ligação mais direta com a história dos Vales, o Cômputo dos Vales é chamado de Cômputo dos Homens Livres (CH).

[2] A Lista dos Anos recebe esta denominação porque eles derivam de profecias escritas sob este título pelo famoso Sábio Perdido, Augathra o Louco, com algumas adições do grande vidente Alaundo. Todos os anos de Forgotten Realms tem um título previsto, que normalmente faz alusão a algum fato marcante do ano.

Escrito por Joel Minusculi

janeiro 13, 2010 em 5:08 pm

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Prograva Viva Voz: Twitter

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Programa Viva Voz, sob o comando do professor Carlos Praxedes e acadêmicos de Jornalismo, veiculado na Rádio Univali FM 94,9. O programa sempre aborda assuntos atuais, com convidados e a participação do público. Um exercício bem interessante de debate e desenvolvimento de informação. O programa pode ser ouvido diariamente, pela internet, aqui.

Joel Minusculi
Que (ainda) não é especialista em tecnologia, mas gosta de falar sobre

Escrito por Joel Minusculi

setembro 9, 2009 em 10:06 am

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Xou da Xuxa no Twitter

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xuxatwitterEsse texto também foi publicado no twitterportugal

Que o Twitter se tornou um ótimo canal para as celebridades fazerem a manutenção de seus fãs, ninguém duvida. O que as pessoas que vivem na altura do altar da fama não esperavam era o impacto de suas ações no ninho do passarinho azul. A apresentadora brasileira Xuxa Meneghel descobriu isso da pior forma, ao entrar no serviço e, menos de um mês depois, abandoná-lo – por não achar que as pessoas merecem falar com ela ou sua filha.

Tudo começou no dia 3 de agosto, quando a Rainha dos Baixinhos anunciou o começo da aventura. Português impecável, boa aplicação de vocativos e vírgulas. Usou até reticências para continuar o assunto, já que 140 caracteres não foram suficientes para uma única mensagem. As letras alternaram entre maiúsculas e minúsculas, respeitando a gramática.

Até o dia 6 de agosto cada mensagem parecia uma “normal”, como um relato do dia-a-dia. Mas nessa data surgiu a primeira mensagem com o “jeitinho da Xuxa”: tudo escrito em letras maiúsculas, sem acentuação, reticências no lugar de vírgulas e um outro tom na mensagem, mais alegre e descontraído.

Não existe um padrão oficial para se escrever na internet. Tanto que há neologismos e miguxês sendo usados sem nenhuma forma de fiscalização. O que há são convenções, pequenas regras que respeitam o senso comum, para deixar o ambiente da web melhor. Um exemplo, bem recorrente, é que se uma pessoa escrever uma mensagem em caixa alta significa volume alto, grito.

O que aconteceu com Xuxa Meneghel é que seu status de celebridade não foi adequado com a imperfeição vista em seu perfil no Twitter. Muitos de seus seguidores (ou não) começaram a alertá-la sobre sua escrita. A loira, porém, quis ir contra seus mais de 90 mil seguidores. Tentou justificar sua maneira de se comunicar pelo “jeitinho”.

O Twitter proporciona a chamada interação mútua, que Alex Primo, resumidamente, define que acontece na troca de informações entre dois pólos “seus elementos são interdependentes, onde um é afetado, o sistema total se modifica”. Ou seja, tudo o que é colocado no Twitter pode ser desenvolvido de acordo com o julgamento dos receptores – que não têm um padrão definido de resposta – e pode sair do esperado pelo emissor.

Diferente da televisão, em que a resposta para as ações poderia demorar semanas ou serem filtradas por uma assessoria, Xuxa descobriu que as réplicas por Twitter são praticamente em tempo real. Além disso, todas as mensagens, boas ou não, chegavam até ela. Esse contato direto em massa, sem filtros, seguranças ou assessores, pode ter “Xocado” a Xuxa (com o perdão do trocadilho).

Quando Xuxa Meneghel afirmou que iria se adequar ao padrão, surgiu a hipótese de seu perfil ter sido iniciado por um “ghost writer” – detalhe pouco comentado. A letra então baixou, mas o ânimo dos tuiteiros de plantão ainda estava exaltado e vigilante sobre as ações da loira. Até o dia que Sasha, filha da Rainha dos Baixinho, enviou uma mensagem com um erro de português. Mais uma vez, Xuxa justificou, explicando que a filha tinha sido alfabetizada em inglês.

A Rainha dos Baixinhos não é a primeira celebridade que descobriu que há pessoas que podem não gostar dela ou de suas ações. Com esse exemplo, pode-se perceber certa padronização por senso comum no Twitter, em que devemos seguir a linha de idéias recorrentes, além de contabilizar seguidores. Além disso, mostra que as conseqüências de uma tuitada, até mesmo as mais banais, são proporcionalmente relativas ao tamanho da fama do emissor.

Xuxa Meneghel adiciona mais uma polêmica para seu hall de ações que não tem nada com seu “jeitinho”. Ela apagou a mensagem da filha e uma que usou um xingamento contra as retaliações. Seu perfil ainda existe, mas seu espaço no ninho do passarinho azul foi literalmente abandonado.

Joel Minusculi
Que dificilmente segue um famoso

Escrito por Joel Minusculi

agosto 31, 2009 em 6:32 pm

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13º Distrito – Ultimato (B-13 – Ultimatum)

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Baixe o filme em formato RMVB Legendado – 370 mb – 106 min – Ação/Aventura

França. Cidade Luz, terra do croissant, do perfume ao invés do banho e dos malucos que pulam de prédio em prédio no Le Parkour. E é nesse último ponto que está o forte de 13º Distrito – Ultimato (B13 – Ultimatum, 2009, França), continuação do excelente (mas pouco conhecido) 13º Distrito. Ambos os filmes foram escritos pelo excêntrico Luc Besson, que consegue surpreender em cada cena de ação em ritmo alucinante. Nesse segundo filme, a direção fica a cargo do pouco experiente, porém não menos competente, Patrick Alessandrin.

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O ano é 2016. Esse futuro na França é marcado pela divisão social, em que os não cidadãos franceses e menos favorecidos são renegados a guetos, bairros cercados por muros, conhecido como B-13. Dentro dessa área quem manda são chefes de quadrilhas e máfias, cada um vivendo e administrando seus negócios em um canto. Até o dia em que um empresário quer construir um grande conjunto habitacional para ricos no B13, mas não pode pelo empecilho dos moradores.

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O empresário se torna conselheiros de segurança do presidente da França e arquiteta um golpe para colocar culpa nos moradores e “limpar” o B13. E para que seus planos dêem certo, ele tira de seu caminho Damien Tomaso, um policial eficiente com a justiça e com laços no B13. E para ajudar a libertar o policial e salvar seu bairro, entra na história o “malandro” e ágil Leïto. A partir disso começa uma corrida alucinante de saltos e esquivas para impedir o bombardeamento a destruição do bairro de Leïto e os excluídos.

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O argumento da história pode não ser dos mais originais, mas a construção e edição são pontos fortes que marcam o filme. Sem contar as extraordinárias cenas de ação interpretadas por David Belle e Cyril Raffaelli, dois artistas marciais mundialmente famosos por suas peripécias no Le Parkour (se você não os conhece, veja os vídeos no Youtube, pois o que os dois fazem no filme eles fazem na vida real…). Além disso, a o humor francês, um tanto estranho na primeira vista, dá toques bem particulares, que fogem do padrão de Hollywood.

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13º Distrito – Ultimato é o tipo de filme feito para a pura e simples diversão e que vale a pena. É a prova que bons filmes de ação não precisam chamar a atenção por milhares de explosões e milhares de litros de sangue jorrando, mas podem ser reconhecidos pelas habilidades dos protagonistas que a cada cena arrancam um “uau!” dos espectadores.

Trailer – B13 Ultimatum

Preste atenção nessa cena: até o Brasil entrou no filme. Preste atenção quando o presidente da França fala da zona que o seu país está.

Não leve em consideração: que os seguranças vão desarmados contra os caras, ao invés de atirar nos invasores do B13.

Joel Minusculi
Que, quando era menor, conseguia escalar o vão das portas (hoje, infelizmente, só degraus de escada)

Escrito por Joel Minusculi

agosto 17, 2009 em 11:33 pm

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Reconfigurações da Imprensa no Webjornalismo Participativo

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No dia 13 de Julho defendi em banca meu Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “Reconfigurações da Imprensa no Webjornalismo Participativo – uma análise do Leitor-Repórter, do diario.com.br”.  Graças a orientação do meu professor e mestre, Dr. Rogério Christofoletti, consegui a nota máxima de avaliação (apesar de muitos apontamentos feitos pela banca julgadora). Confira abaixo o resumo do trabalho e, em seguida, a íntegra do meu trabalho final. Se você é da área da comunicação, fique a vontade para usar em suas pesquisas (citatando a fonte, por favor) e divulgar. Se você não for, aproveite e aprenda um pouco mais sobre um fenômeno cada vez mais presente nos portais de notícias – que é a produção de conteúdo por pessoas “não profissionais”. Use os comentários para retificações, complementos e outras coisas que queira completar sobre o trabalho. Afinal, a idéia da internet é compartilhar e construir coletivamente (você pode salvar uma versão em PDF no seu computador clicando em “more” e depois “save document”).

Joel Minusculi
Que pretende divulgar o quanto puder esse seu trabalho

***

PS: Leiam com atenção os agradecimentos, na página 4.

Escrito por Joel Minusculi

agosto 7, 2009 em 8:01 pm

Como conseguir seguidores e alienar o público

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Piratasdotwitter

O Twitter no Brasil foi movimentado por mais uma campanha de top hashtag na noite de 29 de junho. Depois do movimento #chupa @aplusk, agora o alvo foi o ex-presidente e atual senador brasileiro José Sarney (DEM-MA). A palavra de ordem #forasarney estava relacionada com os escândalos relacionados ao político. Em mais um movimento coletivo, a hashtag de Sarney alcançou o segundo lugar nos trending topics. Dessa vez, diferente do caso #chupa (manifestação espontânea e popular), o #forasarney foi encabeçado por “celebridades” da mídia brasileira.

Um grupo de “celebridades” decidiu fazer mobilizações pelo Twitter, com a intenção de fazer suas idéias serem redistribuídas (retwittadas) e forçar a entrada de termos nos trending topics. Com isso foi criado o perfil coletivo no Twitter chamado “Os Piratas”, que conta com a participação do ator Bruno Gagliasso, o cantor Junior Lima (da extinta dupla Sandy & Junior), o apresentador do “CQC” Marco Luque, o também apresentador do programa “Pânico” Rodrigo Vesgo, o amigo dele Pedro Tourinho e o VJ da MTV Felipe Solari.

A primeira ação do grupo começou às 22h30 minutos no dia 29 de junho e contou com a adesão de milhares de tuiteiros do Brasil – muitos deles fãs que migraram atrás dos ídolos no mundo online. Além de conseguir colocar o #forasarney em segundo lugar nos trending topics até 1h do dia 30 de junho, as “celebridades” ganharam espaço em sites de fofocas e que acompanham suas vidas.  Além disso, milhares de perfis de pessoas “comuns” mudaram seus avatares para a bandeira “pirata” e replicaram os twittes dos famosos.

O fervor nas quase três horas de movimentação pelo #forasarney foi tão grande, que as “celebridades” brasileiras começaram a apelar entre elas e para as internacionais. Nessa hora, @aplusk foi rogado como um santo em uma decisão de campeonato de futebol. Teve de tudo: gente usando credencial de VJ da MTV, outros fazendo discurso ideológico e até quem apelou para o poder de influência do astro americano. O detalhe foi que @aplusk não se comoveu pelos do movimento e justificou de uma maneira simples: nada disso interessava para ele e quem deveriam se mobilizar eram os brasileiros por conta própria – foi quase como se @aplusk tivesse direcionado um #chupa educado aos @twpiratas. E ainda teve gente que achou o cúmulo alguém de fora do país, que não sabe quem é José Sarney, não ter usado sua influência para divulgar uma hashtag que só diz respeito ao Brasil.

É interessante perceber o poder de alcance dessas “celebridades”, ao ponto de qualquer coisa que escrevem ser replicada no Twitter milhares de vezes. Manipular as hashtags foi encarado como um jogo por aqueles que deveriam usar sua influência para construir redes sociais empenhadas, independente da posição da palavra de ordem. Enquanto isso, milhares de pessoas “comuns” seguiram cegamente os dizeres de seus “ídolos”. Dessa vez o alvo, #forasarney, não tinha muitos motivos para se defender (pois cada vez mais mostra-se culpado). Mas o que será da reputação do conteúdo das redes sociais quando essa brincadeira causar um dano sério?

Joel Minusculi
Que não gosta de gente que quer brincar, mas não sabe como e inventa as próprias regras

Escrito por Joel Minusculi

junho 30, 2009 em 6:07 pm

Publicado em Artigo, Opinião, Twitter

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#chupa: o dia que Ashton Kutcher aprendeu português

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chupa

Imagine o ator Ashton Kutcher sentado em seu sofá, todo esparramado, vendo o jogo de futebol entre Brasil e Estados Unidos, na final da Copa das Confederações 2009. A mão esquerda dele abastece a boca de pipoca, que a Demi Moore acabou de trazer quentinha (ela vestia só uma blusinha branca e aquela calcinha da foto). Na outra mão, Kutcher empunha seu iPhone com acesso a web e narra a partida pelo Twitter com comentários provocativos: “If the USA wins the Fifa Confederations Cup we officially get to call the game Soccer with out getting any sh*t 4 atleast 1 year”.

Como toda celebridade que se preze, Kutcher tem milhões de fãs (ou melhor, 2.481.855 seguidores). Entre todo mundo que acompanha o famoso ator, há também torcedores da seleção canarinho, brasileiros que vestem a camisa do Brasil (principalmente quando está em alguma final, mesmo se a competição não é tão prestigiada). Não bastassem os dois gols que o Brasil tomava no primeiro tempo dos EUA, a torcida brasileira recebia em sua timeline do Twitter o grito de Kutcher em forma de caracteres, que na situação era mais chato que 2.481.545 de vuvuzelas: “Goaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalllllllll!!!!!! from EUA!!!!!”. Mas como diz a propaganda, o time e alguns seguidores do Kutcher são brasileiros e não desistem nunca.

Nem um minuto do segundo tempo, Luís Fabiano mete a bola no fundo do gol. Kutcher fica em silêncio virtual. Milhares de tuiteiros (pessoas que usam o Twitter) estaria tocando vuvuzelas se tivessem uma, mas acabaram exaltando a esperança em até 140 caracteres: “ENTROU!”, exalta uma torcedora com direito a caixa alta e ponto de exclamação para dar ênfase, se referindo ao gol oficial (já que um primeiro o juíz não considerou). Kutcher sentiu o primeiro passo da virada em uma twittada tímida, com caracteres em caixa baixa e sem sinais: “oh boy”. Poucos minutos depois, novamente Luís Fabiano marca e deixa tudo igual: Brasil 2 X 2 EUA. O famoso ator americano, sob o pseudônimo virtual @aplusk, lamenta: “check that 2-2 tie Daaaaaaaaaaaaaaaamn”. Os brasileiros do mundo online e do offline sentem a chama da esperança arder e gritam a primeira coisa que vem na boca.

Tudo parecia bem, cada um torcendo e se remoendo em seu canto. Mas os brasileiros quiseram botar para fora a angústia e a desolação que sentiram durante o primeiro tempo. E, além disso, quiseram fazer os Estados Unidos engolir na marra tudo isso. Assim, alguém no Twitter, não se sabe quem (já que eram milhares ao mesmo tempo), intimou: “Chupa, EUA!”, como um imperativo perfeito contra a nação que acha que o mundo todo é seu império. Eis que uma “celebridade” brasileira, sob a alcunha de @AlineLii, sentencia em altas e extendidas letras: “CHUUUUUUUUUUUUUPAAAAAAAAA!!!!”. Logo depois, ainda ela, como uma vendeta ao famoso ator americano, direciona sua ira de torcedora: “chupa @aplusk! hahahaha”.

Entre as primeiras provocações e o final do jogo ainda houve o terceiro gol do Brasil, marcado por Lúcio. Apesar do salvador brasileiro (com direito a uma camisa com “I love Jesus”), muitas das palavras de comemoração no Twitter queimariam os tímpanos dos anjos. Teve até alguém que comentou: “Mano, nunca vi tanto palavrão no twitter hahahaha”. Quando o juíz apitou e apontou o centro do campo e os Estados Unidos perderam a partida, Ashton Kutcher tentou a redenção: “Ok we will call it futbol. Son of a Motherless Goat”. Em vão, pois tudo o que @aplusk conseguiu foi ser o foco dos torcedores para extravasar o grito de vitória.

Em menos de cinco minutos após a partida de futebol, antes mesmo de Lúcio erguer a taça para o Brasil como campeões da Copa das Confederações 2009, a timeline de @aplusk foi invadida por milhares de mensagens parecidas com a de @AlineLii. Algumas tímidas, como “chupa, @aplusk”. Outras mais raivosas, ao estilo “CHUUUUUUPAAAAAA, @aplusk EUA e Obama” (sim, sobrou até para o presidente mais cool). Teve até o modelo internacional, no “suck, @aplusk“. Esse último digno de nota do famoso ator americano: “I think that Brazilians favorite american Phrase is “Suck it” hahahaha. Congrats on a great comback”. Porém, assim como os brasileiros honram a camisa (quando ganham alguma coisa), os torcedores e seguidores de Ashton Kutcher resolveram honrar seu idioma que veio das terras lusitanas.

Com tudo isso, os cinco caracteres de chupa estavam na ponta dos dedos de milhares de pessoas, que estavam voltados para um Ashton Kutcher sem mais do que se vangloriar. Mesmo assim, @aplusk não se dava por vencido: “Ok Brazil wins this time but let it be known… we are coming and we will compete.” (em uma referência ao maior torneio de futebol). Para quê? Milhares de fãs entenderam isso como uma provocação e responderam em massa e coro: “CHUPA, @aplusk!”. Kutsher levou, ou melhor, chupou o novo termo na esportiva para seu vocabulário: “Ok my new favorite work is “Chupa” Roflmao”. Em uma nova mensagem, o famoso ator americano tentou (quem sabe com o primeiro tradutor barato que encontrou na internet) responder à altura a torcida brasileira: “Grande jogo, veremos que no Campeonato do Mundo! mais uma coisa …. chupa-lo hahaha”.

Ashton Kutcher não tinha noção do que tinha feito. Em três horas, entre o final do jogo e o final da redação deste texto, foram mais de 4000 “chupas” e seus derivados direcionados para @aplusk. Fora isso, mais de 8000 “chupa”, “#chupa” e “CHUPA” reunidos nos bancos de dados do Twitter. Como o sistema de microblog organiza os termos (palavras) mais populares em trending topics (tópicos tendência), o termo #Chupa alcançou o topo dessa listagem em apenas duas horas. Tudo graças aos brasileiros que se uniram em ira contra @aplusk. Isso levou os twitters dos Estados Unidos a improvisar um breve dicionário, como o que @aplusk twittou: “chupa = suck it HAHAHA”.

Como o mundo dos caracteres do Twitter é tão volátil como a paixão dos brasileiros pela seleção, o termo #Chupa desapareceu de uma hora para outra dos trending topics. Assim como ele surgiu, ninguém soube explicar o motivo dele ter desaparecido. Especulou-se censura, erro de sistema, um favor que o @aplusk cobrou de amigo que administram o Twitter… O fato, que durou algumas horas, marcou milhares de usuários do Twitter nesse 28 de Junho de 2008: o dia que o Brasil se tornou campeão da Copa das Confederações de 2009 e o ator Ashton Kutcher aprendeu a chupar o vocabulário da língua portuguesa. Mas o que realmente importa foi a demonstração de poder que uma sociedade (mesmo que online) teve para pôr o #chupa no trending topics. Como diria @flaviofachel: “Já pensou se conseguíssemos repetir isso em outras coisas?”.

Joel Minusculi
Que pretende montar uma vertente de antropologia virtual

Escrito por Joel Minusculi

junho 29, 2009 em 11:31 am

Publicado em Comunidades Virtuais, Internet, Twitter

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Alien

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“Ninguém pode te ouvir gritar no espaço”. Foi com esse slogan que o diretor Ridley Scott criou um dos seres mais temidos do imaginário espacial. Em 1979, o cinema mostrou pela primeira vez a nave mineradora Nostromos, que levava para casa sete trabalhadores espaciais. A espaçonave então detecta um sinal de socorro, o que faz a tripulação ser acordada de um sono criogênico para verificar o pedido de ajuda. Mas o que eles não sabiam é que teriam que socorrer as próprias vidas em “Alien – O oitavo passageiro”.

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O filme é um dos ícones da ficção-científica espacial, que alcançou o sucesso por seu clima claustrofóbico (os passageiros não tinham para onde correr, estavam encurralados dentro da nave) e um monstro assustador (um Alien de quase três metros de altura, escuro como as sobras e uma língua com uma “sub-boca”). Além disso, quando se mostrou que os Aliens usavam os corpos humanos como hospedeiros, a coisa ficou mais aterrorizante. E aí surgiram mais crias, em três seqüencias oficiais: Aliens: O Resgate (1986), Alien 3 (1991) e Alien: Resurrection (1997).

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Surgiram ainda muitos crossovers e aparições em outras mídias, como os quadrinhos do Alien, o (péssimo) Alien VS. Predador (que junta outro ícone extraterrestre) e o fan filme em que Cavaleiro das Trevas enfrenta Alien e o Predador. Mesmo hoje, com efeitos especiais que transformam qualquer coisa da imaginação em realidade, o clima de medo e a criatura são memoráveis e verdadeiros clássicos do cinema.

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ALIEN – O Oitavo Passageiro

Os membros de uma nave espacial acordam do hiper-sono para investigar um sinal que vem de um planeta próximo. Logo descobrirão que o sinal era de perigo, não de S.O.S., como estavam pensando, pois o planeta é habitado por uma criatura monstruosa e incrivelmente forte, que matará todos que encontrar pelo caminho.

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ALIEN: O RESGATE

Depois de um sono de cinqüenta e sete anos, a única sobrevivente (Sigourney Weaver) de uma tragédia espacial descobre que o local onde tudo ocorreu com sua nave foi colonizado e, apesar das pressões, ela decide retornar para salvar as setenta famílias lá existentes.

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ALIEN 3

A tenente Ripley (Sigourney Weaver) vai parar em um planeta que na verdade é uma colônia penal de segurança máxima, onde todos os internos são assassinos e estupradores. Lá não existem armas e é um lugar totalmente isolado do mundo civilizado. Dentro deste contexto, o alienígena volta a atacar, matando tudo que se move, mas com uma misteriosa diferença: ele não ataca a tenente Ripley.

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ALIEN: A RESSURREIÇÃO

A tenente Ripley (Sigourney Weaver) se matou para não permitir que o governo levasse um monstruoso alienígena para o nosso planeta. Mas, após 200 anos, em uma nave espacial, ela acorda e descobre que cientistas a ressuscitaram através da clonagem, conseguiram com sucesso retirar a rainha dos alienígenas de seu corpo. A intenção é ter um exército de aliens que, acreditam eles, possam controlar. Durante este processo o DNA da tenente é misturado com o da rainha e ela desenvolve algumas características alienígenas. Os pesquisadores começam a criar os aliens, mas estes logo escapam, provocando terror e morte. Como a nave está rumando para a Terra, eles precisam ser detidos o quanto antes, principalmente pelo fato da rainha ter tido uma nova ninhada, que poderá significar o fim dos humanos. Neste contexto, apenas a tenente e alguns contrabandistas, que se encontram na nave naquele momento, podem impedir esta tragédia.

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Confira a seguir um ensaio fotográfico do site RAZOOMA inspirado nos filmes de Alien:


Joel Minusculi
Que é fascinado pelos elementos de ficção científica de Alien

Escrito por Joel Minusculi

junho 29, 2009 em 6:45 am

Publicado em Cinema, Download

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